Moradores do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, exibem neste sábado (10) produções cinematográficas realizadas inteiramente com aparelhos celulares durante a mostra Cine Sesi + Curta Periferias.
Capacitação e produções da comunidade
O projeto atendeu 40 participantes divididos em duas turmas, permitindo que os moradores retratassem suas vivências e os desafios cotidianos de suas regiões. Entre os títulos exibidos na mostra estão Kemillym Luta, dirigido por Kemillym e Letícia Moura, e A Dança da Vida, sob a direção de Jordan Balbino.
A programação também conta com Memórias da Mata, de Luciana Barros Migrantes, Conexão Maré x África, de Bruno Carlos, Àdurá, de Kley Hudson, Entre a Maré e o Meu Mundo, de Adrielle Soares e Ynara Baltazar, além de A Maré Ensina, dirigido por Caio Aragão.
Parceria institucional e mercado de trabalho
A iniciativa resulta da colaboração entre a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio e a Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias), contando ainda com o apoio do Conselho Nacional do Sesi por meio do edital Conexão Sesi.
Para o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, o jovem da periferia tem histórias para contar, e o programa viabiliza essa oportunidade.
“O que nós buscamos é viabilizar esse acesso. O Cine Sesi começa com um celular na mão para o jovem aprender sobre cinema. A nossa ideia é viabilizar o mercado de trabalho. A gente quer apoiar projetos que nasçam da realidade de cada território e, a partir disso, ampliar as oportunidades de quem vive aquele local”.
Segundo Mateus Affonso, coordenador de Tecnologia e Inovação na Uniperiferias, o projeto promove a dignidade e a autonomia dos moradores de favelas.
“Foi um projeto muito positivo por podermos dar autonomia a jovens e adolescentes que puderam se sentir comfortable em contar sua própria história e a do seu território. Os curtas envolvem os desejos, as vontades e as potencialidades dessas pessoas que passaram por essa formação”, disse Affonso.
Estrutura e cronograma da formação
As atividades ocorreram entre 11 de agosto e 29 de setembro de 2026, somando 24 horas distribuídas em 22 oficinas de roteiro e técnicas audiovisuais. Ao todo, 137 candidatos se inscreveram no processo seletivo, resultando em 32 concluintes que entregaram sete curtas totalizando cerca de 38 minutos.
Jordan Balbino Ferreira, de 26 anos, cocriador de A Dança da Vida, destacou a importância do aprendizado prático durante as aulas.
“O curso foi muito bom. Eu tive contato pela primeira vez com o conteúdo do audiovisual. Pude ver como poderia realizar produções audiovisuais com meu próprio telefone. Foi bom colocar em prática tudo o que aprendi na sala de aula”, disse Jordan.
O evento acontece no Galpão Bela Maré, localizado na Rua Bittencourt Sampaio, com recepção a partir das 10h, exibição dos filmes às 11h e cerimônia de premiação ao meio-dia.







