O treinador Cuca confessou surpresa com a excelente campanha que o Santos vem realizando no Campeonato Brasileiro. O pronunciamento ocorreu na entrevista coletiva concedida depois do empate por 2 a 2 com o Flamengo, disputado na Vila Belmiro, resultado que estendeu a invencibilidade do clube para oito partidas consecutivas na competição.
A campanha e a busca pelas metas
Com a igualdade no placar, o Alvinegro Praiano alcançou a marca de 42 pontos, ocupando agora a oitava colocação na tabela. A equipe encontra-se a apenas três pontos de atingir a pontuação estimada para afastar qualquer risco de rebaixamento para a Série A, que representa a primeira meta estabelecida pela comissão técnica na temporada.
Sobre essa trajetória surpreendente, o comandante foi direto:
– Eu não esperava. Sinceramente. Estar a três pontos de conquistar o primeiro objetivo faltando nove jogos. Lembro das organizadas cobrando no CT contra a queda. Estar num estágio assim, fico muito feliz. Torcedor também está feliz e orgulhoso. Tomara que consigamos ir até o final nessa condição. Lógico que não vamos ganhar todos, mas acabar bem no projeto que estamos com uma pré-Libertadores ou Libertadores. Seria um final de ano muito bom.
O retorno de Neymar e a cautela com o elenco
O desempenho de Neymar foi um dos principais destaques apontados pelo técnico. Recuperado de uma lesão na coxa direita, o camisa 10 teve atuação fundamental ao converter as duas cobranças de pênalti que garantiram o empate santista. Contudo, Cuca descartou a possibilidade de escalar o craque ao lado de Philippe Coutinho de forma simultânea neste momento de transição física.
– Muito cedo para falar nos dois juntos. Estão voltando. É um risco grande. Tem uma falta que ele (Neymar) bateu de pé esquerdo por estar sem confiança. É natural. Jogar jogo a jogo. Ele encorpa muito a equipe. Os companheiros ficam mais fortes com ele em campo. Fez os dois gols, tem capacidade técnica indiscutível. Está de parabéns por voltar, jogar tão bem e ser responsável também pela remontada.
A presença do atacante no confronto seguinte, contra o Atlético-MG, na Arena MRV, ainda permanece indefinida devido ao gramado sintético do estádio mineiro.
– Sobre jogar na Arena MRV, vamos discutir amanhã, ver como ele se apresenta, como as coisas fluirão para o próximo jogo.
Análise tática e poder de reação
O comandante também avaliou o duelo diante dos cariocas, destacando as dificuldades iniciais e a capacidade de superação do grupo após sair perdendo por dois gols de diferença ainda na etapa inicial.
– Flamengo é uma bela equipe. Um jogo com eles sempre é perigoso. Time técnico. Tem que jogar e ter cuidado defensivo. Não começamos bem, demoramos pra nos adaptar. Equilibramos com o passar dos minutos. Os dois times tiveram oportunidades. Nos últimos 5 minutos tomamos dois gols. Toma um gol de bola trabalhada, outro de bola parada. Ir para o intervalo tendo que manter a calma e equilíbrio. Jogar sem se precipitar. O risco de tomar o terceiro e matar o jogo. Mais se fizer um te põe no jogo e é o que aconteceu. Tivemos a bola roubada que gerou o pênalti e expulsão. Depois chegamos ao empate. No final fica o gosto de quero mais. Mas se olhar que saímos perdendo de dois a zero, é um ótimo resultado. Poderia ser melhor, mas poderia ser pior também.
O treinador enfatizou ainda que o comportamento atual do grupo reflete o amadurecimento e a personalidade adquirida ao longo do torneio nacional.
– É a personalidade que a equipe vem adquirindo. A recuperação e técnica dos jogadores é fantástica. São poucos jogadores que temos abaixo do que podem render. Antigamente não era assim. Torcedor tem mais paciência com o jogador também. Eles estão entregando tudo e o torcedor fica satisfeito. O santista mais apaixonado que tem diria que jogaríamos fora contra Vasco, Inter, Corinthians, Remo e Vasco. Quantos pontos faríamos? Tem gente que falava seis, cinco. Fizemos quinze. Estamos muito contentes com a entrega.
Por fim, o técnico comentou brevemente sobre a relação com a arbitragem durante as partidas decisivas desta reta final de campeonato:
– Não é fácil ser árbitro. Paciência com eles é curtíssima. Com quarto árbitro, então, nossa. Todas equipes tentam pressionar de alguma forma. Não para ter vantagem, mas por discordar de situações. Estava falando com o Daronco. Se a gente puder ajudar um pouco mais. Nessa época a negociação dos três pontos é mais cara. Flamengo quer ser campeão. Queremos a Libertadores. Outros times querem não cair. Todos com os nervos à flor da pele. Mas não podemos jogar na arbitragem a culpa de um resultado. Também podemos ajudar mais.







