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O único álbum do Guns N’ Roses lançado sem Slash que tem a aprovação do guitarrista

Apesar de ter sido o disco de rock mais caro da história, a obra dividiu opiniões antes de receber elogios do músico.

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O álbum do Guns N’ Roses que mostra ‘o quão genial Axl Rose é’, segundo Slash

A trajetória do Guns N’ Roses foi marcada por rupturas profundas, sendo a saída do guitarrista Slash em outubro de 1996 um dos momentos mais drásticos. Após conflitos criativos e desentendimentos com o vocalista Axl Rose, o instrumentista ficou duas décadas longe da banda, retornando apenas em abril de 2016. Durante todo esse período de afastamento, o grupo lançou um único e polêmico material de estúdio que, contrariando as expectativas, conquistou a admiração do antigo colega de banda.

A reconstrução solitária do grupo

A história por trás de Chinese Democracy teve início em 1994, quando Axl Rose assumiu o controle total da banda. O processo de desmonte da formação clássica ocorreu gradualmente: o guitarrista Gilby Clarke foi demitido em 1994 após atritos criativos e disputas financeiras, seguido pela saída do baterista Matt Sorum em junho de 1997. Por fim, o baixista original Duff McKagan deixou o grupo em agosto de 1997. Sozinho, Rose optou por reiniciar o projeto do zero, reestruturando a banda peça por peça.

O projeto estendeu-se por impressionantes 14 anos, passando por 15 estúdios diferentes, utilizando seis produtores e acumulando entre 60 e 80 composições candidatas ao repertório final. Os custos financeiros foram estratosféricos, ultrapassando a marca de 13 milhões de dólares, o que consagrou a obra como o álbum de rock mais caro já produzido.

O veredito de Slash sobre o disco

Embora o lançamento de 2008 tenha enfrentado resistência inicial nos círculos do rock, Slash reconheceu o valor artístico do material e afirmou que não faria um trabalho superior ao que o colega realizou.

“É um disco realmente bom. É muito diferente do som original do Guns N’ Roses, mas é uma grande declaração do Axl. Agora você entende para onde ele estava indo o todo o tempo. É um disco que o Guns N’ Roses original jamais conseguiria fazer. E, ao mesmo tempo, mostra o quão brilhante o Axl é. Então, foi um alívio para mim finalmente ouvi-lo.”

Anteriormente, em entrevista ao Team Rock, o guitarrista já havia apontado o projeto como a materialização das vontades antigas do vocalista, definindo-o como um retrato fiel do parceiro que deixou para trás. “A primeira vez que ouvi o Chinese Democracy, achei que era o disco que Axl gostaria de ter feito antes que eu saísse. Então, é uma espécie de testemunho perfeito de Axl. Se tivesse sido lançado como um trabalho solo, todos ficariam surpresos”, declarou.

Vazamentos e adaptação no repertório

Antes mesmo de chegar ao mercado oficial, nove faixas do disco vazaram na internet. Na época, em conversa com o Music Radar, Slash demonstrou indignação com a atitude do responsável: “Quando alguém pega o trabalho de outra pessoa e o lança prematuramente só para ficar famoso, é algo incrivelmente egoísta e criminoso. Um disco é uma obra de arte. E não deveria ser lançado até que o criador decida fazê-lo — e não me importa quanto tempo levou para criá-lo.”

Com o retorno da formação original na turnê Not In This Lifetime…, iniciada em 2016, faixas como a música homônima e “Better” foram integradas ao repertório ao vivo. Em bate-papo com Eddie Trunk, o músico admitiu que precisou remodelar as faixas para se sentir confortável no palco: “Há algumas músicas ótimas naquele disco. Eu meio que as deixei mais do meu jeito, para que eu me sentisse mais confortável. E elas são simplesmente f*das”.

O guitarrista também fez questão de enaltecer o trabalho dos músicos que gravaram o material — Buckethead, Robin Finck, Ron “Bumblefoot” Thal, Paul Tobias e Richard Fortus —, destacando a qualidade técnica do repertório em entrevista à Guitar World: “Eles são guitarristas incríveis. Preciso cumprimentá-los, porque aquele material é bom. Muito diferente do que faço”.

Após uma recepção morna no passado, o tempo transformou a obra em um verdadeiro clássico cult. Com a reunião dos integrantes originais nos palcos, o interesse pelo disco solitário disparou nas plataformas de streaming, fazendo com que o número de reproduções saltasse de 8 milhões para 24 milhões.

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