O baixista do Pearl Jam, Jeff Ament, também é fotógrafo, e você já conhece seu trabalho: ele fotografou a ovelha em close-up na capa do álbum Vs., de 1993, assim como as capas de Yield (1998), Riot Act (2002) e da coletânea de raridades Lost Dogs (2003). Ele também vem fotografando seus companheiros de banda desde o início dos anos 90. Seu excelente novo livro, Since Forever — criado em parceria com seu irmão, o designer Barry Ament — reúne mais de 250 dessas fotos em preto e branco, juntamente com suas reflexões escritas.
O livro foi lançado em 25 de setembro, na mesma noite em que o Pearl Jam fez seu primeiro show desde a saída de Matt Cameron, uma apresentação surpresa no Ohana Festival — com o baterista de longa data de Paul McCartney, Abe Laboriel Jr., na bateria. Vedder disse à plateia que Laboriel estava ajudando naquela noite, e a banda não confirmou se ele entrou para o grupo definitivamente. O Pearl Jam é a atração principal do festival hoje à noite.
No novo episódio do Rolling Stone Music Now, Ament desvenda as histórias por trás das fotos de Since Forever e se aprofunda nos primeiros dias do Pearl Jam, na turnê com Neil Young, no próximo capítulo da banda e muito mais. Para ouvir o episódio completo, acesse o Apple Podcasts ou o Spotify.
Aqui estão alguns destaques da conversa:
Ament vendeu sua câmera para se mudar para Seattle em 1983 e só conseguiu uma nova quando a produção de Singles pediu que ele a incluísse no orçamento do filme.
“Naqueles primeiros dois ou três anos que morei em Seattle, eu tirei, literalmente, umas cinco fotos”, diz Ament. “Esse foi o sacrifício que tive que fazer. Tive que vender minha câmera para me mudar para Seattle. Era o item mais caro. Acho que consegui uns 100 dólares por ela, o que era muito dinheiro em 1983.”
Isso mudou quando Cameron Crowe o chamou para o departamento de arte de Singles. “Eles precisavam de fotos de alguma coisa, e eu disse: ‘Não tenho câmera’, e eles responderam: ‘Vai comprar uma câmera’. E eu fiquei tipo: ‘Como assim?’. E eles disseram: ‘Cara, vai comprar uma câmera e inclui no orçamento do filme’. E eu fiquei tipo: ‘Posso fazer isso?’”
O lado “faça você mesmo” de Ament se manifestou quando ele descobriu que um fotógrafo contratado pela gravadora poderia cobrar US$ 8.000 por hora, e que o Pearl Jam estava arcando com pelo menos metade da conta.
“O engraçado é que muitas daquelas primeiras coisas, eu não estava tentando documentar”, diz Ament. “Eu estava tentando criar conteúdo para os álbuns que estávamos produzindo, ou, em algum momento bem no início, estávamos lançando newsletters e precisávamos de conteúdo para elas. E mesmo com as capas dos álbuns, ficou evidente logo de cara que a gravadora contratava um fotógrafo, e aí a gente descobria que estávamos pagando por ele, ou metade, e o fotógrafo cobrava uns 8 mil dólares por hora. E tinha aquela minha parte econômica e adepta do ‘faça você mesmo’ que pensava: ‘Isso é ridículo, cara. Tipo, é quatro vezes mais do que meu equipamento fotográfico vale. Eu consigo fazer isso sozinho.’”
Ament ficou surpreso ao ver que havia tirado fotos de Eddie Vedder sem camisa na cabine vocal durante as gravações de Ten (1991).
“Olhando as folhas de contato, eu não sabia o que eram aquelas fotos”, diz Ament. “Você fica tipo: ‘Cara, que estranho. São três fotos seguidas, tipo, só do lado escuro do estúdio.’ E aí, quando a gente digitaliza e coloca na tela, de repente é tipo, ‘Nossa, ele tá cantando ali na cabine’”.
Ele não pediu permissão à banda para usar as gravações. “Espero que ele não se importe”, diz. “Não mostrei nada disso para eles.” Quanto à camisa que sumiu: “Porque tava um calor do caralho, cara. Aquelas salas de isolamento não tinham ar, então fiquei surpreso que ele não estivesse de sunga. Não que ele tenha uma sunga, mas…”
A ovelha na capa de Vs. estava seguindo Ament ao longo de uma cerca em uma fazenda em Montana. Ele não fazia ideia de que estava fotografando a capa de um álbum.
“Eu percebi que uma ovelha estava me seguindo pela cerca, então comecei a fotografá-la, e ela continuava tentando passar por cima da cerca”, diz Ament. “Só quando recebi a folha de contato revelada, pensei: ‘Nossa, essa seria uma ótima capa’, porque já tínhamos escrito ‘Animal’, e havia um certo sentimento de rebeldia contra o mundo naquela época, contra a gravadora, contra, sabe, o sistema. Então, pareceu… muito mais natural do que a primeira capa do álbum, que era, sabe, muito literal… Foi legal colocar a folha de contato inteira, ou quase toda, ali só para mostrar às pessoas que eu desperdicei um rolo inteiro de filme com aquilo.” Para constar, Ament acha que é uma ovelha, e não uma cabra, como alguns afirmam.
Quando o Pearl Jam acompanhou Neil Young na turnê Mirror Ball de 1995, Young surpreendia a banda com músicas 20 minutos antes do show.
“Em quase todos os shows, ele voltava uns 20 minutos antes e dizia: ‘Ei, acho que vamos tocar ‘Mr. Soul‘ hoje à noite’”, conta Ament. “E a gente se apressava, tipo, tirando uma fita cassete do álbum Decade … Por sorte, o Brendan [O’Brien] tinha tocado muitas dessas músicas em bandas quando era mais novo, então ele meio que sabia o que estava acontecendo. Mas a gente literalmente ficava lá com nossos instrumentos, aprendendo a música, e aí íamos para Berlim e tocávamos a música pela primeira vez. Nos virando como podíamos.” Young adotava a mesma abordagem no palco: “Ele simplesmente decidia, tipo, ‘Vamos fazer uma versão de 15 minutos dessa música hoje à noite’, e meio que ligava alguns pedais e os amplificadores ficavam muito altos, e você só tinha que acompanhar.”
Ament e Matt Cameron costumavam brincar que ainda tinham uns três anos no Pearl Jam. Ament estava brincando. Cameron, na verdade, não.
“Às vezes, a gente até brincava, tipo, ‘Então, quantos anos nos restam, uns três…?’ E ele respondia: ‘É, é. Parece certo. Mais três anos.’ Tipo, ‘Então, nós dois vamos ter 60. É, vai ser perfeito’”, conta Ament. “E acho que isso deixava os outros caras um pouco nervosos. Mas eu estava brincando, e aí descobrimos que ele não estava… E eu entendo, cara. Você chega aos 60 e nós temos sorte de ainda estarmos aqui aos 60. Mas você também tem, tipo, alguns sonhos não realizados e outras coisas que você quer fazer, e talvez o sonho não realizado seja simplesmente ficar em casa com a sua esposa. Pode ser tão simples quanto isso.” Mesmo assim, Ament não está pronto para parar. “De vez em quando a gente faz um show que eu penso: ‘Caramba, cara. Eu comparo isso com qualquer banda de 25 anos’”, diz. “Eu simplesmente adoro passar um tempo com esses caras.”
O novo baterista do Pearl Jam era a primeira escolha de todos.
“Foi o primeiro nome que surgiu… Em nossas mentes, vamos começar pelo melhor”, diz Ament. “E todos nós temos amigos muito bons que são bateristas… A parte mais difícil foi contar para… meus amigos que são bateristas incríveis que tínhamos um cara.” Falando antes da revelação, Ament não estava pronto para afirmar que era definitivo: “Espero que seja o nosso cara, mas não sei se é. Ainda não fizemos nenhum show, então é difícil ter certeza absoluta.” Quando sugerem que o novo baterista poderia ser um robô, Ament entra na brincadeira, referindo-se às inúmeras gravações da banda de “Even Flow“: “Finalmente conseguimos acertar a parte de ‘Even Flow‘. Ela realmente se encaixa nos refrões. Programamos em uma bateria eletrônica. É incrível. Vocês vão adorar.”
Ament quer que o Pearl Jam faça um novo álbum e uma turnê no ano que vem.
“Eu adoraria”, diz ele sobre a possibilidade. “Já está na hora… É como se tivéssemos uma energia nova e a oportunidade de usá-la ao máximo e transformá-la em algo diferente e grandioso.” A banda só começou a compor novas músicas recentemente. “Acho que todo mundo está compondo, mas ainda não escrevemos muita coisa juntos, embora algumas coisas que fizemos sejam muito boas. Então acho que entendemos o potencial… Com esse tempo separados, você fica pensando: ‘Nossa, mal posso esperar para fazer isso’. Estou morrendo de vontade… Mas vai levar um tempinho, pelo menos alguns meses.”
Ele e Stone Gossard têm conversado sobre isso. “É como sempre foi com o Stone”, diz. “A cada uma ou duas semanas, a gente conversa sobre coisas como: ‘Ah, a gente podia fazer isso, a gente podia fazer aquilo’.” E é tipo, ‘Não vamos nos precipitar’.”
Uma ex-fotógrafa da Casa Branca lembrou Ament de que ela havia tentado impedi-lo de tirar fotos durante a visita do Pearl Jam na época de Clinton. Ele havia usado dois rolos de filme.
“Meu amigo Pat Williams, que era congressista aqui em Montana, faleceu, e houve um funeral, e essa senhora veio até mim”, conta Ament. “Ela disse: ‘Ah, eu era a fotógrafa da Casa Branca’. E continuou: ‘Tenho uma ótima foto de vocês’. E eu respondi: ‘Ah, sim, eu também tenho várias fotos’. Ela disse: ‘É… nós estávamos te dizendo que você não podia tirar fotos aqui’. Eu não me lembro muito bem disso, mas lembro de ter pensado na época: ‘Vocês nos convidaram. Nós não pedimos para vir aqui. Então eu vou fazer o que eu bem entender’.” Então, sim, eu tenho dois rolos de filme daquela viagem e um monte de fotos ótimas nossas com o Mudhoney antes de nos separarmos. … O Bill não ligava, cara. O Bill dizia: ‘Aonde você quer ir? Eu te levo aonde você quiser.’ ‘Podemos ir para a sala de guerra?’ ‘Claro. Vamos para a sala de guerra.’”
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