A atuação abaixo das expectativas no empate por 1 a 1 com a Austrália deixou evidentes diversos questionamentos sobre o futuro da seleção brasileira neste início de preparação para a Copa do Mundo de 2030. Os mesmos problemas defensivos e de criação observados na eliminação do último Mundial voltaram a aparecer, indicando que o comandante Carlo Ancelotti enfrenta obstáculos que vão muito além da simples renovação de plantel.
Desafios táticos e velhos problemas
Apesar de a renovação ser uma das diretrizes apontadas pela entidade máxima do futebol nacional, o treinador deixou claro que dar continuidade ao trabalho iniciado em meados de 2025 é sua principal meta. No entanto, o time apresentou dificuldades para ditar o ritmo e careceu de um estilo de jogo alinhado à sua tradicional identidade em solo australiano.
A escalação inicial contou com sete atletas que participaram da última Copa do Mundo, contrariando a expectativa de grandes mudanças na equipe titular. Com isso, lacunas crônicas no setor de meio-campo voltaram a surgir durante o confronto em Townsville.
Avaliação do comando técnico e dos adversários
Após o apito final, o técnico italiano analisou o desempenho de seus comandados e projetou os próximos passos da equipe nestes amistosos internacionais.
– Não é um sabor de derrota porque foi um empate. Acho que a equipe podia ganhar, tivemos oportunidades. Era difícil jogar neste campo, é verdade que depois que levamos o gol a equipe reagiu. Foi um empate merecido no final, temos que ser pacientes porque são testes que temos que fazer, dar oportunidades aos jogadores que jogam menos e seguir na frente porque era um teste e também o próximo vai ser outro teste – Ancelotti.
O setor central formado por Danilo Santos e Bruno Guimarães sofreu com a sobrecarga de atribuições defensivas e ofensivas, transformando a partida em um duelo franco de transições rápidas. O autor do tento adversário também comentou sobre o confronto equilibrado.
– Pra ser sincero, foi um jogo lá e cá, com chances para os dois lados. Foi bom ver que podemos competir contra o Brasil – definiu Irankunda, autor do gol australiano.
Expectativa de mudanças e pressão da torcida
Visando o próximo compromisso diante da mesma seleção australiana, agendado para terça-feira em Brisbane, o comandante prometeu alterações táticas na equipe para buscar maior solidez no setor intermediário e aproveitar a polivalência de atletas no setor ofensivo.
– Às vezes, jogaremos com o sistema de hoje (4-2-4) e podemos jogar também com três meio-campistas. Por isso são testes agora para provar.
A exigência por respostas imediatas e bom futebol contrasta com o discurso cauteloso adotado pela comissão técnica, especialmente em um momento de reconstrução após desdobramentos negativos recentes no cenário internacional. A necessidade de resultados positivos acaba condicionando a integração de jovens talentos promovidos recentemente ao grupo principal.
– Não é um início de um ciclo, é a continuação de um ciclo que começou ano passado e agora a prioridade é dar minutos aos jogadores que jogam menos, jogadores que têm potencial, como Endrick, Estevão e vamos seguir nesta linha. O torcedor tem que ser paciente e quando tivermos competições oficiais a equipe vai estar preparada.
Pressionado logo nos primeiros passos deste novo ciclo, o Brasil volta a encarar a Austrália em Brisbane e, na sequência, viaja para enfrentar a seleção da Índia no dia 3 de outubro.








