O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, respondeu nesta sexta-feira (25.set.2026) a uma declaração recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acerca da dependência financeira que os times de futebol possuem em relação às empresas de apostas esportivas. De acordo com o mandatário rubro-negro, a instituição atua rigorosamente dentro da legalidade vigente no país.
Defesa da legalidade e críticas ao governo
Em entrevista, o dirigente foi questionado sobre a posição do governo federal de que as equipes esportivas precisam encontrar formas de operar sem o capital das plataformas de palpites, evitando financiar vencimentos elevados através da dependência dos torcedores. Bap rebateu prontamente essa visão.
“Nós não fizemos nada de ilegal. Absolutamente tudo regulado, aprovado, licenças concedidas pelo governo do presidente Lula, após anos de discussão no Congresso Nacional. Então, nós não estamos fazendo nada de errado. Eu entendo que nós não temos que aprender nada. Nós temos que nos ajustar ao que seja o marco regulatório do país”, declarou.
Riscos do mercado ilegal e restrições
O dirigente esportivo também expressou ceticismo quanto à eficácia de limitar as operações do mercado formal para combater o vício em jogos, sugerindo que apostadores inveterados podem acabar buscando alternativas clandestinas que carecem de fiscalização.
“Os mais viciados são aqueles que vão exatamente procurar as casas ilegais e vão continuar apostando. Então, você não vai atacar o objetivo, em tese, que está sendo declarado, dessa forma”, afirmou.
Bap fez ainda um paralelo com a proibição de outros itens comerciais, argumentando que impedir o acesso por vias legais não extingue o consumo na sociedade moderna.
“Você acreditar que porque você proíbe, você elimina o mal, não elimina. Ainda mais com plataformas digitais hoje em dia, onde você pode, com o telefone celular na sua mão, se logar em qualquer novo site ilegal de apostas”, disse.
Impacto financeiro no clube e no futebol brasileiro
No âmbito econômico, o presidente flamenguista detalhou que a influência das empresas de apostas ultrapassa a quantia de R$ 269 milhões estipulada no contrato de patrocínio principal. Somando outras propriedades, como placas de publicidade em gramados e parcerias vinculadas a torneios, o montante aproxima-se de R$ 400 milhões.
Na visão do dirigente, o ecossistema do futebol nacional movimenta cerca de R$ 2,5 bilhões atrelados a esse segmento corporativo. Ele destacou que uma ruptura repentina inundaria o mercado com novos espaços publicitários, desvalorizando os ativos esportivos e tornando inviável a reposição imediata de tais verbas.
Insegurança jurídica e o cenário político
Enquanto a gestão federal avalia novas diretrizes para o setor online, o clube carioca posicionou-se frontalmente contra qualquer veto às operações, alertando para o fortalecimento do ambiente clandestino. Bap ressaltou que alterações normativas devem tramitar no Legislativo, apontando apreensão com o momento político.
“O que causa espécie é a forma como isso poderia estar sendo feito, porque ainda não foi feito. […] Sendo feito dessa forma, em cima das eleições, isso causa muita apreensão para a gente, uma insegurança jurídica enorme e impactos absolutamente materiais em todo o ecossistema do futebol”, declarou.








