Em uma sessão marcada por forte nervosismo nos cenários interno e internacional, o dólar comercial registrou alta de 0,47% nesta quinta-feira (24), cotado a R$ 5,193. A moeda norte-americana encerrou no patamar mais elevado desde o final de agosto, impulsionada pela aversão global ao risco e pela fuga de capitais de países emergentes.
Desempenho dos principais indicadores financeiros
O mercado financeiro fechou o dia com perdas generalizadas. Além da valorização da divisa estrangeira, o principal índice da bolsa brasileira encerrou o pregão em baixa de 0,99%, marcando 183.965,91 pontos. A cotação máxima do dólar atingiu R$ 5,202 durante a tarde, acumulando ganho de 0,26% em setembro, embora ainda apresente baixa de 5,39% no acumulado do ano.
No mercado de commodities, o petróleo registrou forte valorização. O barril do tipo Brent subiu 3,41%, fechando a US$ 106,60, enquanto o WTI avançou 2,65%, cotado a US$ 94,61. A alta foi motivada pelas incertezas geopolíticas e pelas negociações envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
Impacto dos títulos americanos e atuação do Banco Central
A disparada da moeda americana acompanhou o comportamento do índice DXY no exterior e o avanço expressivo nos rendimentos dos Treasuries. O título público estadunidense de dez anos superou a marca de 5% ao ano pela primeira vez desde 2007, alcançando 5,2209%. Taxas atrativas na principal economia do mundo reduzem o apetite por investimentos em nações emergentes como o Brasil.
Para conter a volatilidade no câmbio, o Banco Central realizou dois leilões de linha simultâneos, injetando US$ 1 bilhão no sistema por meio de vendas com compromisso de recompra. A intervenção ocorreu após a divulgação de que o fluxo cambial brasileiro estava negativo em US$ 7,078 bilhões no mês até o dia 18. No mesmo dia, o BC revisou para baixo a estimativa de crescimento do PIB para 2026, passando de 2% para 1,8%.
Pressão do petróleo e cenário fiscal doméstico
As cotações do petróleo continuaram pressionadas pelas incertezas geopolíticas relacionadas ao Estreito de Ormuz. O avanço da commodity eleva os temores inflacionários globais, influenciando diretamente as expectativas sobre as taxas de juros de diferentes economias.
Internamente, o mercado também repercutiu as novas projeções para as contas públicas. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento reduziram a necessidade de contenção de despesas para R$ 16,1 bilhões, mas elevaram a previsão de déficit efetivo para 2026 para R$ 80,9 bilhões, enquanto investidores monitoravam o cenário político e pesquisas eleitorais.








