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Governo reduz contenção no orçamento de 2026 para R$ 16,1 bilhões

Ajuste nas contas públicas abre espaço fiscal necessário para viabilizar o novo reajuste do Bolsa Família neste ano.

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Contenção no Orçamento é reduzida de R$ 17,9 bi para R$ 16,1 bi

O governo federal reduziu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões o total de despesas contidas no Orçamento de 2026, ao mesmo tempo em que abriu espaço para acomodar o reajuste do Bolsa Família. A mudança foi apresentada nesta quinta-feira (24), no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre.

O novo montante sob restrição é composto por R$ 2,4 bilhões em bloqueios e R$ 13,6 bilhões em contingenciamento. No levantamento anterior, divulgado em julho, havia R$ 17,9 bilhões bloqueados e nenhum valor contingenciado.

Revisão de gastos obrigatórios

A revisão das despesas obrigatórias ajudou a abrir espaço para o aumento do programa de transferência de renda. O governo estima que os gastos com benefícios previdenciários ficarão R$ 11,5 bilhões abaixo da projeção anterior em 2026. Também foram reduzidas as estimativas para despesas com o funcionalismo, com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e com subsídios.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a revisão da Previdência não representa uma redução dos benefícios pagos, mas uma diminuição na estimativa de crescimento das despesas.

“O fato é que a gente só liberou o reajuste do programa pela inflação nos termos que a lei autoriza, quando realmente a gente estava com os dados em mãos e teve clareza que, em particular, a Previdência sofreria uma queda na projeção. Não quer dizer uma redução de despesa, mas uma redução da projeção de crescimento da despesa da Previdência”, explicou Moretti.

Segundo o ministro, a redução da pressão sobre novas concessões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contribuiu para a revisão das estimativas.

Impacto do Bolsa Família

O Bolsa Família terá reajuste de cerca de 15%, com o benefício mínimo passando de R$ 600 para R$ 691. A média paga às famílias deve subir de R$ 691 para R$ 777. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que os recursos liberados seriam distribuídos entre diferentes ministérios, caso o governo não tivesse decidido priorizar o reajuste do programa social.

“Esses recursos seriam desbloqueados de qualquer forma, seriam pulverizados para outros ministérios, e, quando tivemos segurança de que realmente esse nível de despesas ficaria abaixo do que era previsto, houve a decisão de governo, a meu ver consciente e correta, de priorizar a parcela da sociedade mais vulnerável que estava precisando dessa recomposição do Bolsa Família”, afirmou Ceron.

Déficit e arrecadação

O relatório também elevou a previsão para o déficit efetivo das contas públicas em 2026, passando de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões. Entre os fatores que pressionaram as contas está a redução da expectativa de arrecadação, com queda de R$ 15,7 bilhões nas receitas primárias. A arrecadação do Imposto de Renda teve revisão negativa de R$ 13,1 bilhões, influenciada pela frustração na cobrança sobre lucros e dividendos.

Ceron afirmou que parte da arrecadação esperada com dividendos deve ser recuperada em 2027.

“A partir do ano que vem, entra em voo de cruzeiro”, disse o secretário-executivo da Fazenda.

O detalhamento do impacto por ministério deverá ser publicado até 30 de setembro, por meio de decreto.

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