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Bets dominam finanças do futebol brasileiro e geram alerta em Brasília

Empresas de apostas injetaram R$ 1,1 bilhão nos maiores times do país em 2025, impulsionando debates sobre novas restrições governamentais.

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Bets já respondem por 34% da receita de marketing dos maiores clubes

As empresas de apostas esportivas consolidaram seu protagonismo financeiro no esporte nacional ao responderem por 34% de todo o faturamento de marketing dos 20 principais clubes do futebol brasileiro durante o ano de 2025.

O impacto bilionário das empresas de apostas De acordo com um levantamento divulgado pela Sports Value, o conjunto dessas equipes movimentou a marca de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing. Desse montante expressivo, aproximadamente R$ 1,1 bilhão teve origem direta em acordos de patrocínio firmados com plataformas de apostas.

Quando analisado o faturamento geral dos clubes — que somou mais de R$ 15 bilhões em 2025 considerando todas as fontes de entrada de recursos —, as bets representaram, em média, 8% do total arrecadado pelas instituições esportivas.

Diferenças expressivas entre os gigantes da Série A Individualmente, o Flamengo lidera a lista dos clubes que mais arrecadaram com o setor, acumulando R$ 269 milhões em patrocínios de apostas no período. Esse valor representou 13% da receita global do rubro-negro carioca e metade de todo o seu departamento de marketing.

Na sequência do ranking aparecem Corinthians, com R$ 150 milhões; São Paulo, registrando R$ 113 milhões; e Palmeiras, que obteve R$ 100 milhões. A proporção desse dinheiro na área de publicidade oscila bastante: no São Paulo, as bets atingiram impressionantes 73% da receita de marketing, a maior marca do estudo, seguido por Atlético-MG (69%), Botafogo (57%) e Corinthians (54%). Na outra ponta da tabela, o Red Bull Bragantino registrou 8% e o Cruzeiro, 12%.

Crescimento acelerado do setor O avanço financeiro das companhias do ramo foi vertiginoso entre um ano e outro. O repasse financeiro direcionado aos 20 maiores times saltou de R$ 618 milhões em 2024 para R$ 1,14 bilhão em 2025, o que representa um salto de 85%. No mesmo intervalo, a receita geral de marketing das equipes cresceu cerca de 30%, passando de R$ 2,43 bilhões para R$ 3,17 bilhões. Em uma perspectiva de médio prazo, esses ganhos com marketing mais que dobraram desde 2022, quando totalizavam R$ 1,43 bilhão.

Discussões e restrições no governo federal A divulgação desses números ocorre em um momento de forte debate político sobre o futuro do mercado de apostas no país. O governo federal discute a imposição de regras mais duras para o setor de jogos online. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com ministros no Palácio da Alvorada para debater medidas restritivas, com tendência de focar em cassinos virtuais e preservar as apostas esportivas.

Durante um evento político na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Lula comentou sobre o tema e declarou que pretende “acabar com a jogatina”, além de afirmar que as equipes esportivas precisarão encontrar fontes alternativas de financiamento.

“Sinceramente, em nome da boa política, em nome da sociedade brasileira, a gente vai acabar com isso. E os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro. Vai ser assim. Isso vai ser bom para a juventude”, declarou.

O chefe do Executivo também comentou a respeito de articulações promovidas pelos dirigentes esportivos para tentar barrar eventuais proibições à publicidade do setor.

“Vi uma notícia muito triste. Os clubes se reuniram e fizeram um documento para me entregar dizendo que, se acabar com as bets, eu vou acabar com o futebol”, disse.

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