O rapper Macklemore foi cortado do restante da turnê norte-americana de Ed Sheeran após se manifestar publicamente em apoio à Palestina durante apresentações ao vivo. Em pronunciamento nas redes sociais, o artista responsabilizou Robert Kraft pelo seu afastamento, alegando que o bilionário teria articulado junto a outros administradores de arenas para barrar suas performances nas próximas cidades da agenda musical.
O império esportivo e a conexão com o caso
Kraft é um proeminente empresário judeu, dono do New England Patriots, equipe da NFL, e do New England Revolution, clube da MLS. Sob sua gestão, iniciada em 1994 com a compra do time por US$ 172 milhões, a franquia de futebol americano valorizou expressivamente, alcançando hoje a marca de US$ 10,6 bilhões. Ele também comanda o Gillette Stadium, localidade onde Ed Sheeran tinha apresentações previstas.
No Instagram, o músico detalhou como soube da decisão. “Na segunda-feira passada, o Ed me contou que o Kraft havia ligado para ele. Tínhamos um show marcado para o final deste mês no Gillette Stadium. O Ed me disse que o Kraft afirmou que eu não teria permissão para me apresentar no estádio dele”, revelou.
O artista acrescentou que sofreu um veto coordenado pelos dirigentes. “O Ed também me contou que o Kraft havia mobilizado alguns dos outros proprietários de estádios e que, juntos, eles lhe deram um ultimato: se o Macklemore continuasse na turnê, ele não poderia tocar nos locais deles”, pontuou.
Em sua defesa, o empresário argumentou que a medida não ocorreu apenas pelas “ações recentes do rapper”, mas também devido a um “histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas” que ele julga “profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica”. A acusação de que teria pressionado outros donos de arenas não foi comentada por ele.
Fortuna, filantropia e relações políticas
Aos 85 anos, Robert Kraft preside o Kraft Group, conglomerado com atuação em setores como papel, embalagens, imóveis e entretenimento. Com formação na Universidade Columbia e MBA em Harvard, o magnata possui uma fortuna estimada em US$ 15 bilhões pela Forbes.
Em 2019, ele recebeu o Prêmio Gênesis, voltado à filantropia, e destinou recursos para fundar a Together Beat Hate, voltada ao combate ao antissemitismo global. A proximidade com o ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu marcou a cerimônia da honraria.
Além dos negócios e da filantropia, Kraft mantém laços históricos de amizade com Donald Trump. Apesar de desentendimentos pontuais — como críticas públicas após a invasão do Capitólio em janeiro de 2021 —, a relação seguiu forte, com participações do empresário em eventos da família presidencial norte-americana. Seus quatro filhos, frutos do casamento com a falecida esposa Myra, também atuam na administração dos negócios da família e em frentes beneficentes.
Desdobramentos e resposta financeira
A promotora dos shows de Ed Sheeran, Messina Touring Group, confirmou o cancelamento por meio de nota oficial, indicando que as casas de espetáculo vetaram a presença do artista. Por sua vez, Macklemore afirmou que doará o lucro líquido obtido com os concertos — cerca de US$ 1 milhão — para entidades voltadas ao auxílio do povo palestino, desafiando o bilionário a equiparar o valor.
“Com tudo o que aconteceu nas últimas 48 horas, quero trazer a conversa de volta para onde ela pertence: para o palestino que ainda está sendo morto, ainda vive sob ocupação militar e ainda luta por sua liberdade”, escreveu o cantor. “Seja lá do que [eu e Kraft] discordemos, talvez possamos concordar nisso: vidas palestinas merecem ser protegidas. Uma vida palestina não vale menos do que qualquer outra vida nesta Terra”.
Em resposta ao desafio, Kraft rebateu as críticas e citou um arranjo financeiro feito em conjunto com o astro britânico da música. “Dediquei grande parte da minha vida a construir pontes entre todas as pessoas. Acredito profundamente que todas as vidas merecem ser protegidas. Hoje mais cedo, antes de Macklemore me desafiar a igualar sua doação, Ed me ligou e pediu que eu me comprometesse a doar dois milhões para igualar sua doação e ajudar a região a combater essa crise humanitária. Ed agora planeja entrar em contato com outros proprietários de estabelecimentos, e nosso objetivo é continuar trabalhando juntos para construir pontes”, declarou.








