O grupo Aquino está finalizando um novo álbum de estúdio que marca um resgate às raízes musicais da formação. Em passagem pelo Rio de Janeiro, os integrantes João Soto e João Vazquez revelaram detalhes sobre a guinada sonora, que prioriza arranjos orgânicos e uma dinâmica de banda tocando reunida.
Gravação ao vivo no Rio de Janeiro
O processo de registro aconteceu em um estúdio localizado em Santa Teresa, sob a tutela de Rolf, com a participação do produtor Cisneison Jr. tocando o Fender Rhodes ao lado do trio. Diferente dos trabalhos anteriores, o projeto atual buscou fugir de métodos tecnológicos complexos para abraçar a espontaneidade de uma execução ao vivo.
“Vamos pegar o violão, pegar a guitarra semi-acústica, pegar o baixo, a bateria. Um Fender Rhodes. Umas cordinhas ali, uns metais aqui”, contou um dos integrantes.
Resgate das referências musicais
A decisão criativa reflete o aprendizado obtido com o projeto anterior, chamado Apple, que motivou a busca por capturar a essência crua dos instrumentos. Com isso, timbres tradicionais ganham protagonismo em detrimento de elementos eletrônicos e bases programadas.
“Foi o resultado que pra gente foi o mais legal. De chegar no estúdio com as tracks e ver que tinha uma coisa ali especial”, falou um dos músicos.
O conceito do repertório também bebe diretamente na fonte de grandes ícones da música internacional, com destaque especial para o legado dos Beatles na construção estética das novas faixas.
“Vamos voltar pro que formou a gente na música”, afirmou um dos integrantes durante a conversa.
Menos sintetizadores e mais identidade
Para alcançar a sonoridade desejada, o grupo diminuiu drasticamente a dependência de recursos eletrônicos durante a concepção das músicas, optando por uma instrumentação física e tradicional.
“A gente tá muito acostumado a usar VS, a fugir pelos sintetizadores pra arranjar as coisas”, explicou um deles.
O objetivo central é entregar um resultado final definido por Vazquez como “mais orgânico” e “quente”. Apesar da satisfação com o produto final, os artistas reconhecem que o desgaste inerente ao processo de criação gera momentos de autocrítica severa até a conclusão do projeto.
“Quando você chega no final, porque eles são processos de ânimo, você olha para aquela criança que saiu e você fala: essa criança tá feia”, brincou um dos músicos sobre o cansaço de produzir um novo trabalho.








