O aguardado novo disco de Beck marca o encerramento de um jejum de sete anos e representa um resgate sublime da sonoridade acústica e melancólica que marcou momentos cruciais de sua trajetória, a exemplo de Sea Change (2002) e Morning Phase (2014).
A sonoridade de ride lonesome
Construído com arranjos minimalistas, letras profundas e melodias frágeis, o projeto remete a trabalhos lendários como a obra-prima de Nick Drake e a estética dos compositores de soft-rock de Laurel Canyon. O artista deixa definitivamente para trás a antiga fama de ironia pós-moderna para apostar em harmonias deslumbrantes que servem como cura para a tristeza existencial.
Na faixa de abertura, que dá nome ao disco, ele canta “Você tem que chorar um rio”, enquanto a instrumentação majestosa conduz o ouvinte por uma jornada emocionante.
Destaques e referências musicais
Outras faixas ampliam essa atmosfera introspectiva. Em “Run Away”, ele entoa “não há mais nada a dizer/Num dia de desolação”, equilibrando a tristeza com uma sonoridade solar típica da Califórnia. Já a canção “In the Night” aprofunda essa vertente acústica com arranjos de cordas e versos sombrios.
O repertório ainda passeia por memórias dos anos 70. Em “Bleed”, a entrega vocal lembra a fase mais melancólica de Neil Young, com o verso “os sacramentos, todas vocês vacas sagradas/Eu posso viver sem vocês agora” ecoando em múltiplas camadas.
Conclusão da obra
Apesar de sua atmosfera etérea e fluida, cada canção possui forte identidade própria. O encerramento ocorre com a emocionante faixa “Beyond the Light“, consolidando o ótimo momento criativo do cantor.
Com avaliações positivas da crítica especializada, o disco conquistou nota quatro de cinco estrelas.








