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A força das mulheres nas urnas

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Nunca se viu tantas mulheres disputando cargos eletivos como nas eleições deste ano. Elas estão nas ruas, nas redes sociais, nos debates e, principalmente, colocando seus nomes à disposição de uma sociedade que durante muito tempo reservou à mulher um papel secundário na política.

Em Paranaguá não é diferente. São várias as candidaturas femininas, demonstrando que aquele velho cenário predominantemente masculino começa, enfim, a mudar.

Entre elas está a fonoaudióloga Fabiana Parro, atual vice-prefeita de Paranaguá e candidata a deputada estadual.

Sua história pessoal talvez ajude a explicar essa disposição de enfrentar novos desafios. Fabiana venceu um câncer de mama e transformou a própria dor em missão. Criou o Instituto Peito Aberto e passou a dedicar parte de sua vida ao cuidado com outras pessoas, à saúde da família e também ao incentivo ao esporte.

É apenas um exemplo de tantas mulheres que descobriram que ocupar espaços de decisão não é favor, concessão ou privilégio. É direito.

E talvez esteja justamente aí uma das grandes mudanças desta eleição.

Durante muito tempo se discutiu a necessidade de ampliar a participação feminina na política. Agora, elas próprias começam a responder nas urnas: não querem apenas participar das campanhas, levantar bandeiras ou pedir votos para outros. Querem ser votadas. Querem decidir. Querem representar.

No caso de Paranaguá e do Litoral, existe ainda outra reflexão que precisa ser feita.

A região possui quase 240 mil eleitores. Paranaguá, sozinha, ultrapassa os 107 mil. É força eleitoral suficiente para sonhar — e por que não exigir? — representação própria na Assembleia Legislativa e também na Câmara Federal.

Historicamente, porém, o Litoral ajuda a eleger candidatos de outras regiões, muitos dos quais aparecem por aqui a cada quatro anos, recolhem votos e depois mantêm pouca relação com os problemas de quem vive entre a Serra do Mar e o oceano.

Por que não mudar essa história?

E por que não uma mulher?

Não pelo simples fato de ser mulher. O voto deve considerar história, propostas, capacidade e compromisso. Mas também não existe razão para que o gênero continue funcionando como uma espécie de barreira invisível para quem pretende ocupar os espaços de poder.

O empoderamento feminino talvez seja exatamente isso: não precisar pedir licença para ocupar o lugar que também lhe pertence.

Se esta eleição está trazendo mais mulheres para a disputa, a democracia já ganhou alguma coisa.

O restante, como sempre, estará nas mãos — e na consciência — do eleitor, da eleitora.

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