Associação denuncia golpe com falsas campanhas de doação nas redes sociais
Criminosos criaram empresa e site usando nome de ONG e causaram prejuízos a doadores
A Associação Esperança do Bem, entidade social que atua em São Paulo, denunciou à polícia o uso indevido de seu nome em um esquema de golpes envolvendo pedidos fraudulentos de doações pela internet.
Segundo a instituição, terceiros não autorizados criaram páginas no Instagram e no Facebook, além de um domínio hospedado na empresa Hostinger, para solicitar transferências via PIX e depósitos bancários. Os golpistas utilizam vídeos de crianças em situação de vulnerabilidade, muitos deles retirados do YouTube, para sensibilizar potenciais vítimas.
O boletim de ocorrência AQ0126-1/2026 aponta que os autores chegaram a abrir um CNPJ com o mesmo nome da associação, induzindo o público ao erro. O cadastro na Receita Federal registra como responsável Antonio José Pereira dos Reis, que não foi localizado pela reportagem.
A presidente da entidade, Marli Gomes, afirma que a associação não tem qualquer vínculo com as páginas ou com o domínio utilizados no golpe. “Estamos colaborando com as investigações e pedindo providências. Nosso trabalho é sério e transparente”, afirmou.
De acordo com ela, além dos prejuízos financeiros causados às vítimas, a confusão gerou ataques nas redes sociais contra a instituição. “Recebemos cobranças e pedidos de reembolso de pessoas que foram enganadas. Também somos vítimas desse crime”, disse.
As contas falsas permanecem ativas, apesar das denúncias feitas à Meta. A empresa não respondeu aos pedidos de esclarecimento. A Hostinger também foi notificada sobre o uso irregular do domínio, mas não informou se adotou medidas.
O caso se enquadra, em tese, no crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, que prevê pena de até cinco anos de prisão, além de multa. A criação de empresa com dados falsos pode configurar falsidade ideológica.
O Ministério da Justiça e especialistas em segurança digital recomendam que doadores confirmem dados em sites oficiais, verifiquem se o CNPJ corresponde à instituição verdadeira e evitem transferências feitas a partir de links recebidos por redes sociais.
O Ministério Público de São Paulo foi procurado para comentar e orientar sobre procedimentos, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
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