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Governo barra registros de imóveis de Willer Tomaz em Angra dos Reis

Medida atinge ilha disputada pelo jogador Richarlison e investiga rapidez suspeita na liberação de terrenos federais.

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Governo toma decisão sobre imóveis de Willer Tomaz em Angra dos Reis, incluindo ilha disputada por Richarlison Governo toma decisão sobre imóveis de Willer Tomaz em Angra dos Reis, incluindo ilha disputada por Richarlison

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), ligada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, bloqueou os registros de quatro propriedades pertencentes ao advogado Willer Tomaz na Ilha Comprida, localizada em Angra dos Reis, no litoral fluminense. Entre os locais afetados está o terreno que protagoniza um embate judicial com o atacante Richarlison, jogador do Tottenham.

Origem da investigação e acusações

A decisão do governo federal ocorreu após uma representação protocolada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Conforme a SPU, o objetivo principal é evitar a transferência de titularidade enquanto ocorrem as apurações sobre eventuais falhas e irregularidades na permissão concedida ao advogado para explorar a região.

Em nota oficial, a secretaria explicou que a suspensão temporária visa restringir eventuais transferências de posse dos imóveis da União nos quais as edificações foram construídas.

Tramitação relâmpago e suspeitas

Os investigadores apontam que o processo de cessão dos direitos de ocupação gerou alertas devido à celeridade incomum. A solicitação formal teria dado entrada às 11h33 de 11 de julho de 2022, obtendo o aval completo menos de duas horas depois, às 13h13 do mesmo dia, sem a devida checagem das obrigações fiscais do beneficiário.

Vale destacar que Willer Tomaz também figura como investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sob suspeita de crimes de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas.

Patrimônio na Costa Verde

Levantamentos nos sistemas cartoriais revelam que empresas associadas a Tomaz controlam outras cinco casas em ilhas da região, além da área em litígio com o atleta da seleção brasileira. Grande parte dessas aquisições ocorreu entre 2021 e 2022, período coincidente com a tramitação de propostas legislativas ligadas à privatização de ilhas e municipalização de reservas ambientais no Senado.

Entre os bens sob escrutínio estão quatro lotes na Ilha Comprida avaliados em milhões de reais, adquiridos pela WT Administração de Imóveis e Bens, além de participações em ilhas vizinhas como a do José André e a do Jorge.

O conflito com o atacante Richarlison

A briga judicial começou em 2020, quando o desportista afirma ter aportado R$ 10 milhões em uma mansão na mesma localidade por meio de sua empresa. O centro da controvérsia envolve acusações de que o senador Flávio Bolsonaro teria tentado adquirir o espaço sem sucesso, unindo forças com Willer Tomaz para desbancar o atleta.

Enquanto o parlamentar nega participação direta — embora conste como testemunha na ação —, a defesa de Willer Tomaz sustenta a legalidade das transações. Em nota, o advogado alegou que Richarlison negociou com posseiros que não eram os legítimos proprietários. Ele também sustentou que a empresa ligada ao jogador sofreu derrotas na Justiça, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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