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Eleições nos EUA podem travar data centers, mas isso ajudaria Big Techs

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Eleições nos EUA podem travar data centers, mas isso ajudaria Big Techs

O desenvolvimento de inteligência artificial (IA) e a construção de infraestrutura para esta tecnologia funcionar (leia-se: data centers) andavam num ritmo desenfreado nos Estados Unidos. E as eleições de meio de mandato podem jogar água na fervura.

Com o Partido Democrata conquistando não apenas a Câmara e o Senado americanos, mas também governos de estados como Texas, Ohio e Geórgia, investidores esperam o surgimento de mais obstáculos para a construção de data centers.

Ou seja: a “onda azul” pode levar a uma desaceleração nacional na expansão da capacidade computacional voltada para a IA.

Paradoxalmente, isso poderia favorecer muitos agentes do setor. Entre eles, empresas gigantes de tecnologia. Também seria bom para o Brasil.

Entenda possíveis impactos das eleições de meio de mandato dos EUA no mercado de tecnologia

Até então, investidores tinham receio do custo astronômico para erguer tanta infraestrutura acabar esmagando a lucratividade de empresas de IA.

Só que o movimento recente de resistência de comunidades e governos contra a expansão desenfreada da infraestrutura de IA ameaça desacelerar o crescimento de empresas menores, que dependem de novas instalações para ampliar suas capacidades de computação.

Com o ritmo de novas obras reduzido, custos com crédito, materiais e mão de obra tenderiam a cair. Em paralelo, os data centers que já operam ganhariam “valor de escassez”.

Consumo em data centers tem gerado pressão de investidores por mais transparência ambiental – Imagem: Make more Aerials/Shutterstock

É aí que gigantes como Meta, Amazon e Microsoft levariam vantagem, segundo o Wall Street Journal.

Big techs já controlam complexos de data centers. Além disso, têm caixa e poderio financeiro o suficiente para absorver regulamentações ou negociar compensações locais.

Na prática, o mercado ficaria mais restrito e menos competitivo. E empresas gigantes se beneficiariam disso ao se distanciarem de concorrentes menores que sofrem com crédito mais apertado.

Presidente da Meta diz que resultados das midterms dificultam construção de data centers

A presidente da Meta, Dina Powell McCormick, disse que construir novos data centers nos EUA ficou mais difícil após os resultados das eleições de meio de mandato (midterms, em inglês).

Data centers são estruturas enormes recheadas de computadores potentes. Eles são essenciais para treinar e rodar sistemas de IA. E devoram energia e água, o que costuma preocupar quem mora perto dessas instalações.

Por causa disso, governadores democratas eleitos em estados-chave, como Ohio e Texas, manifestaram resistência a data centers. E pediram o congelamento temporário de novas construções.

No entanto, a executiva compartilhou uma anedota, durante evento do Wall Street Journal, que sugere margem para negociação.

“Tivemos um governador eleito ontem à noite que, inclusive, colocou os data centers como um ponto central de sua plataforma; ele disse: ‘Assim que passarmos pela cerimônia de posse, vamos nos reunir, pois não queremos perder esse investimento em nossa cidade. Não queremos que esses empregos vão para outro lugar’”, contou McCormick, na quarta-feira (04).

Presidente da Meta compartilhou anedota que sugere margem para negociação sobre construção de data centers – Imagem: gguy/Shutterstock

A empresa está construindo um enorme data center na Louisiana, chamado Hyperion; outro em Ohio, chamado Prometheus; e um terceiro no Texas, como parte de um empreendimento com a BlackRock.

A executiva também disse que empresas como a Meta teriam mais facilidade para expandir projetos de data centers já existentes “porque elas possuem um histórico consolidado de alguns anos, e a comunidade tem sentido esses benefícios”. 

“Elas não sentiram os custos; na verdade, sentiram os benefícios”, disse a presidente da Meta no evento.

Além disso, McCormick disse que a Meta também está de olho em outros países, onde talvez consiga construir data centers num ambiente mais favorável.

Midterms nos EUA jogam data centers no colo do Brasil

Resultados das eleições de meio de mandato nos EUA mostram uma “mudança de clima”, analisa o doutor Alvaro Machado Dias, professor da Unifesp, neurocientista e futurista, em entrevista ao Olhar Digital News.

“Certamente as licenças vão pingar de maneira mais devagar, os custos consequentemente para as empresas vão ser maiores e, definitivamente, os interesses e as preocupações das populações locais espalhadas pelos Estados Unidos vão ser mais escutados”, diz o especialista.

O doutor Alvaro duvida que a maioria democrata no Congresso americano signifique uma pausa na expansão dos data centers. “O que muda é muito mais o custo dessa expansão”, afirma o futurista.

Para o especialista, esse novo cenário nos EUA é muito bom para o Brasil.

Argumento para trazer data centers para o Brasil ficou melhor ainda com resultados das midterms nos EUA, diz especialista – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT

O doutor Alvaro explica: “Se já havia um bom argumento para a instalação de data centers no Brasil, que era o Redata, agora o argumento é melhor ainda. Isso porque está mais caro e mais difícil instalar data centers nos Estados Unidos.”

O Brasil “tem política nacional, interesses empresariais – a gente tem tudo orientado a trazer data centers para cá”, observa o especialista. 

O professor acrescenta que essa intenção constava nos planos de governo de ambos os candidatos à presidência do Brasil em 2026.

Outro ponto importante para o doutor Alvaro é como “a nossa maneira de pensar a política pública já começou superior à americana”.

“A discussão americana gira muito em torno do quanto as populações locais estão sendo prejudicadas pela instalação dos data centers porque essa instalação não está ponderando os impactos locais e, por exemplo, não está ponderando esses impactos do ponto de vista do consumo da água”, começa o especialista.

O doutor Alvaro continua: “O Redata exige que o data center contrate ou produza energia suficiente para toda a própria demanda e coloca limite no consumo de água. A gente pode falar mal dos nossos parlamentares, mas, de fato, esse foi um projeto que pensou nesse detalhe que agora está dando tanta dor de cabeça lá fora.”

Já sobre o que o Brasil poderia aprender com o que está acontecendo nos EUA, o especialista disse o seguinte: “O que a gente teria para aprender já está aprendido. Esse negócio de querer entubar políticas goela abaixo da população termina num protesto chamado voto.”

Assista abaixo a entrevista completa com o doutor Alvaro Machado Dias no Olhar Digital News:

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