A Proton, famosa por soluções voltadas à privacidade como o Proton Mail e o Proton VPN, veio a público pedir desculpas depois que trabalhadores relataram forte coerção para acelerar a integração de ferramentas de inteligência artificial na rotina de engenharia. Além de se retratar, a organização prometeu maior transparência em relação aos seus procedimentos de segurança e criação de softwares.
Investigação revela pressões internas
Toda a controvérsia veio à tona através de uma apuração conduzida pelo portal 404 Media, que escutou oito colaboradores atuais e um antigo membro da equipe. A apuração também examinou diálogos corporativos, gravações de encontros e um manifesto estratégico redigido pela liderança da marca.
De acordo com o material divulgado, o clima interno era de exigência excessiva para priorizar a tecnologia automatizada, levantando dúvidas sobre a integridade dos programas. Durante um debate em agosto, um trabalhador propôs um período de testes para códigos inéditos antes do lançamento oficial. O CEO da Proton, Andy Yen, teria classificado a proposta como “pensamento de perdedor” e defendido que velocidade e segurança poderiam caminhar juntas.
Mudança no papel dos engenheiros
No mesmo sentido, o diretor de tecnologia da marca, Bart Butler, elaborou um manifesto propondo uma transformação na função dos desenvolvedores, que deixariam de codificar manualmente para assumir o papel de orientadores de modelos e agentes inteligentes. Em uma gravação de reunião, Butler teria afirmado que 90% do código produzido pela Proton em outubro havia sido escrito com inteligência artificial.
O mal-estar atingiu o ápice quando a companhia anunciou sabatinas individuais para checar o aproveitamento dessas ferramentas pela equipe, gerando receio de demissões. Diante da repercussão negativa, Yen optou por cancelar as entrevistas.
Retratação e novas medidas de transparência
Por meio de uma postagem na rede social X, a companhia admitiu falhas na condução do caso e declarou que não atingiu o patamar esperado por seus usuários. No entanto, a gestão refutou algumas denúncias, assegurando que jamais instalou softwares espiões em laptops corporativos para contabilizar a produção de códigos gerados por robôs.
A instituição também rechaçou a premissa de que a segurança estaria sendo negligenciada em prol da agilidade, pontuando que barreiras extras de verificação foram implementadas recentemente para mitigar falhas.
Como resposta à crise, a diretoria se comprometeu a detalhar suas diretrizes corporativas, especificando onde o uso de algoritmos é liberado ou proibido. Adicionalmente, o código-fonte de sistemas proprietários, a exemplo de edições mais robustas do assistente Lumo, será tornado público para auditoria da comunidade.
Vale destacar que a discussão atinge o núcleo da identidade da Proton, cujo prestígio no mercado digital foi construído justamente como um bastião de oposição às big techs, apostando em criptografia avançada e ferramentas de código aberto para resguardar a navegação e as mensagens dos usuários.








