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Chanceler da Argentina desmente cobrança do Brasil sobre Flávio Bolsonaro

Governo brasileiro afirmou anteriormente ter cobrado esclarecimentos sobre a passagem do senador pelo país vizinho

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Chanceler argentino nega que Brasil pediu explicações sobre Flávio

O chanceler argentino, Pablo Quirno, desmentiu nesta sexta-feira (30.oct.2026) que o governo brasileiro tenha cobrado explicações de Buenos Aires a respeito da passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino antes de seu embarque para os Estados Unidos.

Repercussão nas redes sociais O posicionamento de Quirno foi publicado na rede social X em tréplica a uma reportagem do periódico argentino La Nación que apontava a suposta cobrança diplomática. “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”, afirmou o chanceler.

O impasse diplomático A declaração do ministro argentino contrasta diretamente com a versão oficial divulgada pelo Palácio do Planalto na véspera. Segundo o governo brasileiro, um pedido formal de esclarecimentos sobre a conduta da administração de Javier Milei na saída do parlamentar havia sido repassado à ministra-conselheira Emilia Cortés, encarregada de negócios da Embaixada da Argentina. O Itamaraty avaliava diferentes vias diplomáticas para cobrar respostas de Buenos Aires ao longo da semana.

Contexto da fuga e viagem internacional Os desdobramentos ocorrem na sequência da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com aproximadamente 64 milhões de votos em 25 de outubro. Dois dias após o pleito, Flávio deixou o território nacional cruzando a fronteira terrestre em direção à Argentina, acompanhado de sua esposa e de suas duas filhas, para embarcar em um jato executivo com destino a Miami, fazendo escala no Equador e chegando em solo americano em 28 de outubro.

Investigação e envolvimento internacional A saída do senador aconteceu enquanto ele estava com seus documentos de viagem invalidados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o que motivou a Polícia Federal a investigar a dinâmica da evasão. Inicialmente, a gestão de Javier Milei negou a presença do político na Argentina, mas o órgão migratório local posteriormente confirmou o ingresso da família. Veículos de imprensa estrangeiros e nacionais detalharam os bastidores da operação: o jornal Perfil estimou o custo do voo em US$ 140 mil pagos por um corretor dos Estados Unidos, o The New York Times apontou que a aeronave foi viabilizada por Jason Miller — assessor de comunicação da Casa Branca —, o Clarín relatou a presença do assessor argentino Santiago Caputo em Puerto Iguazú no momento do embarque, e o portal Urgente24 registrou escolta policial ao grupo.

Pronunciamento nos EUA e carta aberta Já instalado em Miami, Flávio publicou uma carta aberta na qual contestou o resultado das urnas sem apresentar evidências de fraude, autoproclamando-se inicialmente como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” antes de abrandar o termo para “líder do Brasil” — alteração que, conforme apuração da colunista Mariana Sanches, do UOL, decorreu de interferência do Departamento de Estado norte-americano.

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