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Lula aponta investigação da PF sobre mansão de Richarlison em Angra dos Reis

Disputa judicial envolve imóvel de R$ 10 milhões ligado a um advogado amigo do senador Flávio Bolsonaro.

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Lula diz que PF apura perda de ilha de Richarlison para amigo de Flávio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Polícia Federal está apurando as circunstâncias da perda de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. A propriedade pertencia a uma empresa do atacante Richarlison, jogador do Tottenham Hotspur, e de seu ex-empresário Renato Velasco, mas acabou transferida para o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro.

Declaração oficial do presidente Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o mandatário detalhou o caso e questionou a rapidez na transferência do bem imóvel.

“Onde foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê [Richarlison] uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões de reais? […] Esse rapaz comprou a ilha por 10 milhões e, de repente, viu a ilha dele desaparecer com o advogado Willer Tomaz, do Flávio Bolsonaro. Ele e o Flávio Bolsonaro foram na ilha desse rapaz, filmaram a ilha com um drone e deram entrada no SPU do Rio de Janeiro. […] E em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison. Tô pedindo pra Polícia Federal investigar para saber onde é que foi feito o trambique que tiraram do Pai do Bebê uma ilha que ele tinha pagado 10 milhões de reais. Nós estamos investigando. Quando ficar certo, meu querido, nós vamos dizer a verdade para você”, afirmou Lula.

Origem do conflito imobiliário A polêmica começou durante a pandemia da covid-19, nos anos de 2020 e 2021, período em que o atleta adquiriu o local em sociedade com Renato Velasco e com o presidente do América-MG, Alencar da Silveira Júnior. Relatos indicam que Flávio Bolsonaro visitou a mansão e fez propostas de compra que acabaram recusadas. Meses depois, em janeiro de 2021, o parlamentar retornou ao endereço acompanhado por Willer Tomaz.

A reviravolta judicial aconteceu em maio de 2022, quando a esposa do ex-empresário do jogador foi retirada da residência por determinação de um oficial de Justiça. A ordem atendeu a um pedido da M Locadora, representada pelo ex-ministro Eugênio Aragão, que reivindicava a posse com base em um registro de 1986. Na mesma época, Tomaz utilizou sua empresa para quitar pendências fiscais da locadora e regularizou o terreno na Secretaria do Patrimônio da União, alegando ter investido R$ 5 milhões na operação e classificando os antigos ocupantes como invasores.

Desdobramentos na Justiça e repercussão A defesa do atacante tentou reverter o cenário jurídico ao pedir a inclusão do senador como testemunha para provar que o espaço não estava abandonado. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça manteve a posse com a empresa de Tomaz em 2025. O caso voltou aos holofotes em outubro de 2026, após uma interação de Richarlison nas redes sociais de Flávio Bolsonaro.

Posteriormente, o atleta cobrou ações da corporação policial e declarou que pretendia destinar parte dos recursos para um hospital em Nova Venécia, sua cidade natal no Espírito Santo, caso recupere o investimento. Procurados pela reportagem, a assessoria do senador e o advogado Willer Tomaz não se manifestaram até o momento.

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