Um registro em vídeo envolvendo o atual governador eleito pelo Paraná, Sergio Moro (PL), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a repercutir nas redes sociais após ser compartilhado na segunda-feira (19.out.2026) pelo deputado federal Túlio Gadelha (PSD).
Detalhes sobre a repercussão política Na publicação, o parlamentar destacou o trecho em que Moro afirma que o antigo chefe do Executivo federal lhe teria pedido para “se não for ajudar, não atrapalhar” no que diz respeito aos inquéritos de corrupção voltados a Flávio Bolsonaro (PL).
A trajetória de Sergio Moro na administração pública Antes de vencer a eleição para o governo paranaense, Moro atuou como magistrado à frente da Operação Lava Jato e assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública durante os primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. O pedido de demissão do cargo ocorreu pouco mais de um doze meses depois de sua posse.
Entrevista ao Flow Podcast O conteúdo resgatado faz parte de uma participação do ex-juiz no “Flow Podcast” realizada em janeiro de 2022. Na ocasião, ele detalhou bastidores do período em que integrou o primeiro escalão do governo e mencionou movimentações ligadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
“[…] O pessoal não quer que se combata a corrupção. É aquele filme que nunca acaba. O presidente tem lá a investigação da família dele, a rachadinha, e tem medo de que ela chegue nele. A partir de um determinado momento do mandato, ele começou a agir para enfraquecimento do combate à corrupção. […] O 1º elemento que revelou isso foi a questão do Coaf —o órgão de inteligência de combate à lavagem de dinheiro no Brasil. O Coaf estava no Ministério da Justiça, sob a minha alçada. Nós tínhamos melhorado o órgão e aumentado o número de servidores, algo demonstrado numericamente. Então, houve um movimento para tirar o Coaf do Ministério da Justiça e transferi-lo para o Ministério da Economia. Ou seja, o Coaf não podia ficar comigo”, afirmou.
Investigações sobre as rachadinhas e o papel do Coaf O esquema de desvio de recursos públicos investigado envolve o período em que Flávio atuou como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) entre 2007 e 2018. As apurações ganharam impulso com dados do Coaf que apontaram transações atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar apontado como operador das movimentações financeiras.
Em 2020, o senador enfrentou denúncias formais por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. O processo enfrentou diversos desdobramentos judiciais, incluindo uma liminar emitida em julho de 2019 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli, que suspendeu nacionalmente investigações baseadas em relatórios financeiros detalhados sem prévia autorização judicial.
“[…] Depois, houve uma liminar de um dos ministros do Supremo Tribunal Federal [Toffoli] que beneficiou o filho do presidente e parou a investigação contra ele. O problema é que essa liminar paralisava todas as investigações de lavagem de dinheiro no país. O presidente não queria que a gente mexesse nisso e me disse: ‘Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe’. Eu havia dito a ele: ‘presidente, eu entendo a investigação sobre o seu filho, mas para o país essa liminar é uma desgraça, pois para tudo’. Ele não queria que eu atuasse no Supremo contra a decisão. Eu não era advogado de ninguém para interferir no processo do filho dele, mas quando uma decisão judicial afeta todo o sistema, o Ministério da Justiça precisa atuar“, afirmou Moro.
Alinhamento político atual Apesar do teor das declarações concedidas anos atrás, Sergio Moro permanece integrado ao PL — mesma legenda de Flávio e da família Bolsonaro — e manifestou apoio à candidatura do senador na disputa presidencial de 2026. No segundo turno do pleito, marcado para 25 de outubro, o adversário de Flávio é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujas condenações aplicadas por Moro em 2018 no âmbito da Lava Jato foram anuladas pelo Judiciário em 2021.







