–:–:–
Conecte-se conosco

Esquerda resgata declaração antiga de Moro sobre pedido de Bolsonaro

Gravação de 2022 voltou a circular após ser republicada por deputado federal em meio ao cenário eleitoral de 2026.

916 visualizações
Esquerda resgata vídeo de Moro sobre pedido de Bolsonaro para livrar Flávio

Um registro em vídeo envolvendo o atual governador eleito pelo Paraná, Sergio Moro (PL), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a repercutir nas redes sociais após ser compartilhado na segunda-feira (19.out.2026) pelo deputado federal Túlio Gadelha (PSD).

Detalhes sobre a repercussão política Na publicação, o parlamentar destacou o trecho em que Moro afirma que o antigo chefe do Executivo federal lhe teria pedido para “se não for ajudar, não atrapalhar” no que diz respeito aos inquéritos de corrupção voltados a Flávio Bolsonaro (PL).

A trajetória de Sergio Moro na administração pública Antes de vencer a eleição para o governo paranaense, Moro atuou como magistrado à frente da Operação Lava Jato e assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública durante os primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. O pedido de demissão do cargo ocorreu pouco mais de um doze meses depois de sua posse.

Entrevista ao Flow Podcast O conteúdo resgatado faz parte de uma participação do ex-juiz no “Flow Podcast” realizada em janeiro de 2022. Na ocasião, ele detalhou bastidores do período em que integrou o primeiro escalão do governo e mencionou movimentações ligadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“[…] O pessoal não quer que se combata a corrupção. É aquele filme que nunca acaba. O presidente tem lá a investigação da família dele, a rachadinha, e tem medo de que ela chegue nele. A partir de um determinado momento do mandato, ele começou a agir para enfraquecimento do combate à corrupção. […] O 1º elemento que revelou isso foi a questão do Coaf —o órgão de inteligência de combate à lavagem de dinheiro no Brasil. O Coaf estava no Ministério da Justiça, sob a minha alçada. Nós tínhamos melhorado o órgão e aumentado o número de servidores, algo demonstrado numericamente. Então, houve um movimento para tirar o Coaf do Ministério da Justiça e transferi-lo para o Ministério da Economia. Ou seja, o Coaf não podia ficar comigo”, afirmou.

Investigações sobre as rachadinhas e o papel do Coaf O esquema de desvio de recursos públicos investigado envolve o período em que Flávio atuou como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) entre 2007 e 2018. As apurações ganharam impulso com dados do Coaf que apontaram transações atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar apontado como operador das movimentações financeiras.

Em 2020, o senador enfrentou denúncias formais por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. O processo enfrentou diversos desdobramentos judiciais, incluindo uma liminar emitida em julho de 2019 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli, que suspendeu nacionalmente investigações baseadas em relatórios financeiros detalhados sem prévia autorização judicial.

“[…] Depois, houve uma liminar de um dos ministros do Supremo Tribunal Federal [Toffoli] que beneficiou o filho do presidente e parou a investigação contra ele. O problema é que essa liminar paralisava todas as investigações de lavagem de dinheiro no país. O presidente não queria que a gente mexesse nisso e me disse: ‘Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe’. Eu havia dito a ele: ‘presidente, eu entendo a investigação sobre o seu filho, mas para o país essa liminar é uma desgraça, pois para tudo’. Ele não queria que eu atuasse no Supremo contra a decisão. Eu não era advogado de ninguém para interferir no processo do filho dele, mas quando uma decisão judicial afeta todo o sistema, o Ministério da Justiça precisa atuar“, afirmou Moro.

Alinhamento político atual Apesar do teor das declarações concedidas anos atrás, Sergio Moro permanece integrado ao PL — mesma legenda de Flávio e da família Bolsonaro — e manifestou apoio à candidatura do senador na disputa presidencial de 2026. No segundo turno do pleito, marcado para 25 de outubro, o adversário de Flávio é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cujas condenações aplicadas por Moro em 2018 no âmbito da Lava Jato foram anuladas pelo Judiciário em 2021.

Mais em Política

Ver tudo →