Em uma conversa descontraída sobre os bastidores financeiros de Hollywood, o ator escocês James McAvoy surpreendeu ao detalhar os ganhos residuais de sua carreira. Apesar de ter integrado produções aclamadas e franquias de grande orçamento, como X-Men e o drama Desejo e Reparação, apenas um trabalho específico continua abastecendo sua conta bancária com frequência: o suspense psicológico Fragmentado, lançado em 2016.
Diferença drástica nos ganhos com royalties
Ao abordar como funciona a remuneração contínua por trabalhos passados no cinema, o artista explicou que a maioria dos projetos traz retornos quase insignificantes com o passar do tempo. “De vez em quando, você recebe um cheque de algumas centenas de libras. Às vezes, chegam cheques de 25 centavos”, contou.
O cenário com o longa dirigido por M. Night Shyamalan, no entanto, fugiu completamente desse padrão. A produção operou sob uma lógica orçamentária enxuta, custando cerca de US$ 6 milhões (aproximadamente R$ 30,4 milhões) para ser filmada, somada a um investimento promocional estimado em US$ 30 milhões (cerca de R$ 152 milhões).
Retorno rápido nas bilheterias mundiais
A resposta do público nas salas de cinema foi imediata e arrebatadora. Já no primeiro fim de semana de exibição, a arrecadação superou a marca de US$ 40 milhões — cerca de R$ 202,6 milhões —, impulsionando o modelo de divisão de lucros dos envolvidos.
“Nosso primeiro pagamento veio no fim do primeiro fim de semana”, relembrou o ator ao destacar a precisão e a eficiência da estratégia comercial traçada por Shyamalan para o projeto.
Desempenho marcante e esnobe em premiações
Na trama de suspense, McAvoy encarou o desafio de interpretar Kevin Crumb, um homem diagnosticado com 24 personalidades distintas. A complexidade do papel rendeu elogios entusiasmados da crítica especializada e do público, mas não se traduziu em indicações às grandes honrarias da temporada de premiações cinematográficas.
A falta de troféus, contudo, não decepcionou o artista, que atribui o fato à resistência histórica da indústria em condecorar obras com temáticas mais sombrias. “Pela quantidade de bons trabalhos feitos nesse gênero, ainda não vejo uma representação suficiente dessa qualidade”, avaliou McAvoy, ressaltando o preconceito velado que ainda cerca as produções de horror e tensão psicológica.







