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Flávio defende filme sobre Bolsonaro na Globo e cita caso Master

Candidato à Presidência usou demissão de executivo e patrocínios da emissora para justificar recursos recebidos de Daniel Vorcaro.

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Na “Globo”, Flávio cita Huck e Fred Kachar para defender “Dark Horse”

Durante sabatina na TV Globo realizada nesta sexta-feira (16.out.2026), o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) utilizou a recente demissão de um executivo do grupo midiático e contratos publicitários da emissora para rebater questionamentos sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O político afirmou que os recursos aportados por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e outros investidores foram totalmente lícitos.

Questionamentos sobre o orçamento

O tema veio à tona quando a jornalista Renata Lo Prete questionou o candidato sobre a diferença entre o valor solicitado a Vorcaro, de R$ 134 milhões, e o orçamento declarado pela produtora do longa, que seria de R$ 75 milhões. A apresentadora também contestou a comparação feita pelo senador com práticas comerciais do canal, pontuando que contratos de patrocínio seguem regras rígidas e não interferem na independência editorial do jornalismo.

Para defender a operação, Flávio mencionou a saída de Frederic Kachar, ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, desligado da empresa após a revelação de conversas com o ex-banqueiro.

“Um diretor da Globo acabou de ser exonerado porque promovia eventos bancados pelo Vorcaro, do Valor Econômico, lá em Nova York”, disse.

Em seguida, o senador afirmou: “O que tem de errado? Eu acho que não, mas ele feriu a ética, o código de ética da empresa, e ele sofreu as consequências”.

Citação a Luciano Huck e patrocínios

No decorrer da entrevista, o candidato também abordou investimentos publicitários direcionados ao programa apresentado por Luciano Huck na mesma emissora, relacionando-os ao ex-banqueiro.

“A Globo, o programa do Luciano Huck recebeu mais de R$ 100 milhões, R$ 160 milhões, se não me engano, para fazer uma propaganda no banco do Vorcaro. E o que tem de errado nisso? Nada”, declarou.

Os números citados pelo político diferem dos registros obtidos em mensagens, que apontam valores de R$ 83 milhões em investimentos do Will Bank em mídia na emissora e outros R$ 26 milhões em um contrato pessoal.

Desdobramentos e investigações

A saída de Frederic Kachar ocorreu na quinta-feira (15.out.), após 29 anos de atuação em veículos como O Globo, Extra, Valor Econômico e CBN. O Grupo Globo comunicou que as mensagens trocadas entre outubro de 2023 e julho de 2025 demonstraram uma relação inadequada com um anunciante e reafirmou seu compromisso com a ética e a transparência jornalística.

No âmbito da produção cinematográfica, investigações da Polícia Federal apontam que o candidato atuou como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações. O parlamentar negou irregularidades, destacando que buscou diferentes investidores e que o apoio ocorreu antes de acusações recaírem sobre o fundador da instituição financeira.

O cenário do financiamento de produções audiovisuais também envolveu menções a outras obras, como o filme “Lula” (2024), dirigido por Oliver Stone. Uma proposta de delação atribuída a Vorcaro e divulgada pela imprensa mencionava repasses para o projeto por meio de intermediação político-partidária, negociações que não avançaram por falta de provas segundo a Procuradoria-Geral da República, enquanto a campanha do atual governo classificou as acusações sem provas como irresponsáveis.

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