Um gesto de carinho pode marcar a vida de uma criança por muitos anos. Em Paranaguá, a professora Maria Aparecida da Silveira Raimundo viveu essa experiência ao acompanhar o desenvolvimento de Enzo Rafael, que foi seu aluno no primeiro ano do Ensino Fundamental da rede municipal.
Na época, o menino era muito tímido e tinha dificuldade para interagir com os colegas. Participava pouco das atividades escolares, mas, com incentivo e acolhimento, começou a superar a vergonha e a experimentar novas experiências.
Sete anos depois, uma publicação nas redes sociais trouxe uma surpresa para a educadora: Enzo estava participando de uma fanfarra. A mãe do estudante, Daiane, compartilhou uma foto do filho e agradeceu à professora pelo incentivo recebido durante os primeiros anos escolares.
Ao ver a publicação, Maria se emocionou ao perceber que o estímulo oferecido anos antes continuava fazendo parte da trajetória do antigo aluno.
“Quando eu vi essa dedicatória que ela fez para mim, com a foto dele, fiquei muito emocionada. Foi um empurrão importante”, conta a professora.
A lembrança remete a uma festa junina realizada há cerca de sete anos. Na ocasião, Maria procurou incentivar Enzo a participar das atividades coletivas, respeitando seu tempo e suas dificuldades. Com paciência e atenção, buscou oferecer a confiança necessária para que ele se sentisse mais à vontade.
Uma trajetória de 33 anos na educação
Maria Aparecida tem 33 anos de profissão e construiu sua carreira na educação pública. Ao longo desse período, atuou como professora, coordenadora e orientadora, além de exercer outras funções na área educacional.
Atualmente, é professora regente do quinto ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Nascimento Junior, onde trabalha no período da manhã.
A escolha pela profissão aconteceu ainda na juventude, motivada pelo gosto pelas crianças. Com o passar dos anos, a experiência fortaleceu sua visão sobre o papel do educador e a importância de reconhecer as necessidades individuais de cada estudante.
“Em primeiro lugar, o professor tem que ter amor pela profissão. É preciso olhar para os alunos com carinho, independentemente de como eles são, se são agitados, tímidos ou se têm mais facilidade para aprender”, afirma.
Para Maria, cada criança tem seu próprio ritmo de aprendizagem e precisa encontrar na escola um ambiente de acolhimento, desenvolvimento e confiança.
Esse cuidado também está presente em sua turma atual, onde acompanha uma criança tímida e procura incentivá-la a participar das atividades. Ao compartilhar a história de Enzo com os estudantes, a professora busca mostrar que a timidez não precisa ser um obstáculo para novas experiências.
Ensinar também é preparar para a vida
Além dos conteúdos escolares, Maria procura preparar os alunos para os desafios que encontrarão após o Ensino Fundamental. A passagem para o sexto ano, por exemplo, representa uma mudança na rotina, com diferentes professores e uma nova organização escolar.
Por isso, a educadora também trabalha a autonomia e a confiança dos estudantes para essa etapa.
“Eu quero que eles aprendam não só o conteúdo que estão vendo agora, mas aquilo que vão levar para a vida. Quero encontrá-los no futuro, trabalhando, formados e seguindo seus caminhos”, destaca.
Ao longo da carreira, reencontrar antigos alunos já adultos, alguns formados e até atuando como professores, é uma das experiências que renovam sua motivação.
A educadora também reconhece o desafio de manter o interesse das crianças pelos estudos. Para ela, a escola precisa estimular a curiosidade, a reflexão e a participação, ajudando os estudantes a compreender o que aprendem e reconhecer suas próprias capacidades.
O valor dos pequenos gestos
A dedicação de Maria também aparece nas atitudes do cotidiano. Durante a semana do Dia das Crianças, por exemplo, ela preparou lembranças para a turma, buscando fazer com que a data não passasse em branco.
Ao compartilhar sua experiência com quem está começando na carreira docente, a professora reforça a importância do envolvimento e do acolhimento no ambiente escolar.
“Vale a pena. Nunca desistam e coloquem sempre o coração naquilo que fazem. Os alunos são seres humanos que, muitas vezes, precisam de um abraço, de acolhimento. A escola não é só chegar, dar aula e ir embora. As crianças precisam da gente”, orienta.
Para os próprios estudantes, Maria costuma repetir uma frase que considera importante para enfrentar dificuldades e continuar aprendendo: “Querer é poder. Nunca diga ‘eu não posso’ ou ‘eu não consigo’. Você tem capacidade e vai conseguir”.
A história da professora e de seu antigo aluno mostra como o trabalho na educação vai além do ensino em sala de aula. Por meio do incentivo, da atenção e do respeito às diferenças, educadores também ajudam crianças e adolescentes a desenvolver confiança e descobrir novas possibilidades para o futuro.









