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Polícia desarticula facção com 215 mandados em três estados

Ação conjunta envolve mais de 500 agentes contra grupo suspeito de tráfico e tortura

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Megaoperação tem 215 mandados judiciais para Paraná, Santa Catarina e São Paulo

Uma ampla ação coordenada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) em parceria com o Ministério Público do estado mobiliza mais de 500 agentes para cumprir 215 ordens judiciais nesta quarta-feira, 14 de outubro. Os alvos são suspeitos de integrar uma rede criminosa com atuação interestadual nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, investigada por crimes graves como tráfico de entorpecentes, lavagem de capitais e atos de violência extrema.

Forças de segurança em ação O efetivo mobilizado inclui equipes de várias divisões da polícia civil paranaense, além do suporte das polícias militar e penal do estado, forças de segurança catarinenses e paulistas, contando também com o reforço de cães farejadores.

No total, a Justiça determinou o cumprimento de 95 mandados de prisão preventiva e 120 ordens de busca e apreensão. As medidas cautelares também contemplam a quebra de sigilo bancário das contas ligadas à facção e a autorização para extração de dados de dispositivos eletrônicos recolhidos durante as diligências.

Tribunal do crime e origem das investigações As apurações tiveram início na cidade de Clevelândia, localizada no Sudoeste paranaense, após o registro de episódios de violência extrema, como sessões de tortura e cárcere privado aplicadas contra indivíduos acusados pela própria facção de “traição”. O grupo também utilizava táticas de intimidação e ameaças para cobrar dívidas oriundas da comercialização de ilícitos.

A investigação revelou que a estrutura criminosa operava o transporte de entorpecentes entre municípios, mantinha depósitos estratégicos e gerenciava pontos de venda de forma remota. Líderes já encarcerados negociavam lotes expressivos de cocaína, maconha e crack com valores estipulados para revenda em diferentes localidades.

A delegada da PCPR Alini Simadon explica que, ao rastrear a origem das ordens para a prática dos crimes violentos, os policiais civis chegaram a celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do Paraná. “Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo.”

Estrutura paralela nos presídios e lavagem de dinheiro Dentro do sistema penitenciário, a organização mantinha um organograma próprio, com funções determinadas. Um setor específico fiscalizava o cumprimento das regras internas, julgava detentos infratores e aplicava punições corporais. Outros membros gerenciavam a circulação e o ocultamento de celulares e roteadores entre as celas. No exterior dos presídios, familiares e colaboradores auxiliavam no esquema introduzindo drogas escondidas no corpo durante os dias de visita.

Os recursos financeiros obtidos por meio do tráfico eram geridos por parentes dos detentos.

“Eram realizadas transferências via PIX para contas abertas em nome de terceiros sem ligação com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, rápidos, para dificultar o rastreamento”, complementa a delegada.

Além de contas de terceiros, os investigadores descobriram o uso de uma empresa de fachada destinada a receber pagamentos referentes a carregamentos de drogas, com todas as transações rigorosamente anotadas em planilhas contábeis.

Cidades atingidas pela operação Os mandados são cumpridos em Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste. Fora do Paraná, os alvos estão localizados em Abelardo Luz (Santa Catarina), além de São Carlos e Cotia (São Paulo).

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