O São Paulo conquistou o título do Brasileirão Feminino ao superar o Corinthians na grande decisão, coroando um projeto de longo prazo iniciado há sete anos, quando o departamento de futebol feminino foi reaberto.
Aposta na base como diferencial estratégico
Diferente de rivais que investiram pesadamente em contratações de peso, o clube tricolor direcionou seus recursos para a formação de atletas. Essa estratégia rendeu frutos expressivos nas categorias de base, onde a equipe empilhou taças, incluindo os campeonatos paulistas sub-15, sub-17 e sub-20 em 2025. O resultado dessa política reflete diretamente no elenco principal, que contou com 14 jogadoras formadas em casa na campanha vitoriosa.
O técnico Thiago Viana destacou a filosofia da instituição em entrevista coletiva após a partida: – Isso é o DNA do clube, o que é ser São Paulo: valorizar as categorias de base. No futebol feminino, tem times com mais poder financeiro e que não investem na base como o São Paulo. O clube é um exemplo para a modalidade, em campeonatos sub-20, sub-18, sub-15. Com todos os problemas financeiros que sabemos que temos, o clube não deixa de investir no futuro da modalidade e também no presente –
Consistência e resiliência ao longo dos anos
A ascensão tricolor na elite nacional foi gradual desde o retorno à primeira divisão em 2019. A equipe acumulou campanhas de destaque, terminando em terceiro lugar em 2020, quinto em 2021, quarto em 2022 e 2023, além de um vice-campeonato em 2024 e a quarta posição em 2025.
A goleira Carlinha, presente no clube desde a reabertura do departamento e decisiva ao defender um pênalti de Gabi Zanotti na final, comentou sobre a trajetória: – Bati quatro vezes na trave com esse time, mas o futebol sempre te dá uma chance de ser diferente. Hoje, apesar do erro no primeiro gol, dentro do jogo você sempre tem uma nova oportunidade –
Estrutura, permanência e novas metas
A continuidade do trabalho também se refletiu na comissão técnica. No comando desde 2023, o técnico Thiago Viana recusou propostas de outros clubes e seleções para manter o vínculo com o projeto são-paulino. Ao longo dos anos, o clube incrementou o suporte às atletas com profissionais de nutrição, fisiologia, tecnologia de ponta e, mais recentemente, a contratação em setembro de 2026 da psicóloga Djara Fortes, com passagem de dez anos pelo rival Corinthians.
O treinador celebrou o momento e projetou o futuro da equipe: – Sabíamos que a construção levaria alguns anos, mas que, em algum momento, íamos conseguir mesclar a base com atletas mais experientes e conquistar títulos, além de trazer o público. Isso se retroalimenta com títulos. Fiquei feliz de ver o orgulho do torcedor, a vontade de gritar “é campeão” entalada. Ficamos felizes de proporcionar isso. Mas esse é o ponto: é só o começo –
Com a taça nacional garantida, a equipe são-paulina segue viva em outra frente e agora se prepara para disputar as quartas de final da Copa do Brasil Feminina contra o Bahia.







