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Injeção letal falha e detenta é levada para hospital nos Estados Unidos

Christa Pike estava no corredor da morte desde 1995 e recebeu duas doses de pentobarbital sem que o procedimento fosse concluído com sucesso.

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Testemunhas revelam as últimas palavras de condenada à morte nos EUA, antes de injeção fatal falhar Christa foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995 (Foto: Reprodução/ABC)

Uma tentativa de execução no estado americano do Tennessee terminou em falha na última quarta-feira (30), exigindo a transferência da detenta Christa Pike para um hospital após a aplicação de duas doses de uma substância letal.

Relatos dos jornalistas presentes

Profissionais da imprensa que acompanharam o procedimento na penitenciária descreveram cenas atípicas e momentos de consciência da condenada durante a tentativa de aplicação do pentobarbital. Tori Gessner, repórter da WKRN, relatou que a detenta reclamou de uma ardência intensa nos membros superiores enquanto recebia as substâncias. “Meu braço parece que vai explodir. Isso acontece assim?”, teria questionado.

A mesma profissional destacou que a mulher ficou “alternando entre roncos e silêncio de forma inconsistente“. O som persistiu mesmo após o horário inicialmente previsto para o término da sessão, fazendo com que o microfone fosse silenciado pelos responsáveis às 20h53.

Por sua vez, Catherine Sweeney, da WPLN, afirmou que a detenta “levantou a cabeça e, em certo momento, estava olhando ao redor“, resumindo a situação ao afirmar que “Nada daquilo era normal”.

Últimas palavras e o histórico do crime

Antes de o procedimento ser iniciado, Christa teve espaço para proferir sua declaração final aos presentes. O repórter Damon Lawrence registrou as frases ditas pela condenada, que afirmou: “Só quero dizer que vou deixar este mundo da mesma forma que passei a maior parte da minha vida, ou seja, com amor”. Ela ainda acrescentou que estava “em paz” e “pronta para ir“.

Christa estava detida no corredor da morte desde 1995, ano em que foi condenada pelo homicídio de Colleen Slemmer, que tinha 19 anos. Na época em que o crime ocorreu, a ré possuía apenas 18 anos. O caso ganhou forte repercussão nacional devido aos elementos associados a cultos satânicos encontrados na cena, incluindo um pentagrama que foi gravado no corpo da vítima. Caso o procedimento tivesse obtido êxito, ela se tornaria a primeira mulher a sofrer a pena máxima no Tennessee em mais de duzentos anos.

Controvérsias e suspensão das execuções

A dinâmica do dia foi marcada por reviravoltas judiciais, incluindo uma suspensão temporária por um tribunal uma hora antes do horário marcado, decisão rapidamente revertida pela Suprema Corte estadunidense. Após receber duas doses — sendo a última aplicada por volta das 20h26 —, a mulher não faleceu e acabou sendo retirada da penitenciária em uma ambulância rumo a uma unidade médica, sem que seu boletim de saúde fosse divulgado.

O episódio foi avaliado por Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, como “algo único e sem paralelo“. A especialista apontou que, embora houvesse registros de sobrevivências anteriores causadas por falhas na localização de veias, não havia precedentes de alguém que continuasse vivo após a administração efetiva dos fármacos. Diante da gravidade da falha, Bill Lee, governador do Tennessee, ordenou uma investigação independente e determinou a suspensão de todas as execuções previstas no estado até o encerramento do ano.

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