O comando do Executivo paraguaio passou a ser exercido por Pedro Alliana, filiado ao Partido Colorado, de direita, nesta sexta-feira (6.nov.2026). A posse ocorreu na capital Assunção, no Congresso Nacional, na sequência do processo de impeachment que afastou Santiago Peña. Para o cargo de vice-presidente, assumiu Antonio Barrios, que se licenciou da função de senador.
Crise no setor financeiro e reestruturação
A transição na cúpula do país ocorre em meio à repercussão da quebra do Ueno Bank, principal instituição financeira digital da nação, cujo processo de liquidação foi determinado pelo Banco Central na última segunda-feira (2.nov). O banco obteve forte expansão durante a gestão de Santiago Peña, que integrou o quadro societário da empresa até o ano de 2025.
Como resposta imediata ao colapso financeiro, o Banco Central iniciou os repasses aos clientes na quinta-feira (5.nov), dividindo o processo em fases. Inicialmente, foram atendidos os correntistas com saldo de até 10 milhões de guaranis (aproximadamente R$ 9.000), sem pendências de crédito com a instituição e que possuíssem conta em outra entidade financeira do Paraguai.
Garantias financeiras e o FGD
O sistema financeiro do país dispõe do FGD (Fondo de Garantía de Depósitos), mecanismo projetado para assegurar até 75 salários mínimos locais por indivíduo e por banco. O montante equivale a 228,3 milhões de guaranis, o que representa cerca de R$ 200 mil.
Durante o pronunciamento oficial de posse, Alliana declarou que enviará ao parlamento, nos próximos dias, uma proposta voltada à racionalização dos recursos estatais, focando na supressão de despesas desnecessárias para redirecionar verbas a parcelas carentes da população.
“Ordeno que se tomem ações imediatas para ressarcir os poupadores, com preferência pelos menos favorecidos. Não quero nenhum morno à frente dessa missão; quero resultados”, declarou ao dirigir-se às autoridades responsáveis por executar as ações de atendimento aos afetados.
Metas sociais e cobrança de resultados
O chefe de Estado listou como foco principal de sua administração o suporte aos desempregados, pacientes que aguardam tratamento médico e aposentados. “Não os deixaremos sozinhos”, disse.
Alliana também impôs rigor administrativo aos subordinados e determinou que deslocamentos internacionais fiquem restritos a situações estritamente necessárias, priorizando a gestão interna.
“Por isso exijo aos ministros e ministras que, ao final de cada dia, me prestem contas das ações de mudança que produziram em cada jornada, sem desculpas e com resultados concretos”, destacou.
A pauta social do novo governo inclui, ainda, a otimização da rede pública de saúde, assegurando atendimento humanizado e fornecimento regular de remédios aos cidadãos.








