O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, manifestou apoio nesta terça-feira (3) à medida do governo federal que suspendeu a operação de sites de apostas online, as chamadas bets.
Audiência pública no STF debate o futuro das apostas O posicionamento foi apresentado durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo ministro Luiz Fux para analisar os recursos da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades questionam a medida provisória de setembro que barrou a exploração e a publicidade dessas plataformas digitais.
Durante o debate, Padilha destacou o temor com a integridade psicológica dos apostadores e com a sobrecarga gerada na rede pública de saúde, mencionando o risco de suicídios decorrentes de endividamento e da ludopatia, o vício em jogos.
“A única e melhor solução para evitar suicídios, evitar pessoas viciadas, violência familiar, é mantermos a proibição das bets”, afirmou o ministro.
Crescimento expressivo nos atendimentos do SUS Segundo o chefe da pasta da Saúde, o Brasil foi pioneiro na restrição e argumenta que nenhuma nação que regulamentou o setor conseguiu conter os danos colaterais à população.
“Não tem nenhum país que, ao legalizar as bets, reduziu o número de pessoas que procuram o serviço de saúde por conta da ludopatia, reduziu o risco de saúde, reduziu a violência familiar”, comentou, reforçando que as estatísticas internacionais apontam deterioração nos índices sanitários após a liberação.
Estatísticas alarmantes sobre o vício em jogos Para fundamentar sua posição, o titular da Saúde divulgou estatísticas que revelam um salto de 200% na busca por assistência médica no sistema público devido aos prejuízos causados pelas plataformas digitais.
O levantamento aponta que 28 milhões de cidadãos apostaram nos 12 meses anteriores ao bloqueio, sendo que 11 milhões manifestaram perfil de risco ou comportamento compulsivo. Além disso, o governo contabilizou 1,2 milhão de solicitações de autoexclusão de CPFs para impedir novas apostas.
“Não é dinheiro que se perde, perde o controle da vida. Quarenta por cento deles [do total de 1,2 milhão] falaram que não aguentam mais perder o controle”, concluiu Padilha.








