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Meta é processada pelo MPT e pode pagar r$ 50 milhões por assédio eleitoral

Ministério público cobra indenização bilionária e exige remoção imediata de publicações que incentivam demissão por motivação política.

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Meta pode pagar R$ 50 milhões por posts que incentivam demissão política

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação civil pública contra a Meta por permitir a circulação e ampliar o alcance de publicações que incentivam empresas a demitir funcionários por sua escolha eleitoral. O órgão federal pede R$ 50 milhões de indenização por danos morais coletivos, além de exigir a retirada de publicações do tipo em um prazo de 24 horas.

Entenda o impacto das redes sociais no assédio político O MPT afirma ter recebido mais de 3.080 denúncias de assédio eleitoral durante o pleito, que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência. Desde então, publicações nas redes sociais passaram a sugerir que empresários demitam funcionários que votaram no presidente. Parte desse conteúdo é atribuída a apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

As postagens são apontadas como ilegais por incentivar o assédio eleitoral, convocando empregadores a vasculhar as redes sociais de funcionários para descobrir em quem votaram. Também há casos de trabalhadores expostos à “ridicularização, com nome e imagem”, além de comemorações por demissões já realizadas. Entre os autores das postagens estão empresários e parlamentares.

O papel dos algoritmos na propagação do conteúdo Em nota, o órgão alega que a Meta é responsável pela ampla disseminação desse tipo de conteúdo, que incentiva a “discriminação, retaliação ou punição de empregados por orientação política”. A empresa de Mark Zuckerberg também foi alvo de críticas durante as eleições por um possível tratamento desigual entre as candidaturas. O próprio TSE pediu explicações à Meta e ao X.

A responsabilização da Meta, por sua vez, iria além da permissão de conteúdo criminoso: o MPT aponta que ferramentas como a aba Explorar e as sugestões de Reels ampliam o alcance e o engajamento das postagens. Como exemplo, cita quatro publicações de um único perfil verificado, que tem 3,8 milhões de seguidores e cujos posts somavam mais de 2 milhões de curtidas.

Medidas exigidas pela justiça do trabalho O órgão também indica a existência de regras e sistemas automatizados da própria empresa que poderiam ser aplicadas para remover os conteúdos, o que não aconteceu. Segundo os procuradores responsáveis pela ação, a ausência de medidas por parte da Meta mostra que as decisões foram “por escolha, e não por impossibilidade técnica”. A Meta informou ao Tecnoblog que não irá comentar o caso.

O MPT pede R$ 50 milhões de indenização e a exclusão das postagens criminosas. Caso a empresa não acate, cada publicação que continuar disponível no Instagram, Facebook e Threads custará R$ 500 mil à Meta. O órgão também pede uma retratação pública para os usuários brasileiros, afirmando que a companhia “não compactua com manifestações que incentivam a discriminiação, retaliação ou punição de empregados por orientação política”.

Outra exigência da ação cível é a notificação dos perfis que publicaram conteúdos criminosos e uma suspensão de 30 dias caso voltem a fazer isso, sob risco de desativação das contas em caso de reincidência. O MPT pede ainda a criação de uma “política permanente de prevenção ao assédio eleitoral” e que proiba “expressamente” esse publicações do tipo.

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