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Propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para a Presidência em 2026

Planos de governo entregues ao TSE revelam visões distintas sobre economia, controle de gastos e o papel do Estado para o período de 2027 a 2030.

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Compare as propostas de Lula e Flávio Bolsonaro

Os planos de governo apresentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Flávio Bolsonaro, candidatos à Presidência no segundo turno das eleições de 2026, mostram convergências em áreas como educação e saúde, mas revelam profundas divergências sobre a condução econômica, a gestão das contas públicas, a segurança pública, as leis trabalhistas e o tamanho do Estado. Os documentos detalham as diretrizes que cada candidato planeja executar em um eventual mandato presidencial de 2027 a 2030.

Economia e contas públicas no centro do debate O programa de Lula prevê a manutenção do arcabouço fiscal, a ampliação dos investimentos estatais e a associação entre crescimento econômico, controle de despesas e elevação da arrecadação. A proposta também visa aprimorar a eficiência dos gastos e proteger as políticas sociais. No âmbito tributário, o plano sugere tributar com mais intensidade os contribuintes de alta renda e eliminar subsídios ineficientes, com o intuito de alcançar justiça fiscal, além de tratar da isenção do Imposto de Renda e da taxação dos mais ricos.

Em contrapartida, Flávio Bolsonaro sugere a implementação de um novo marco fiscal, a geração de superávits primários e a estabilização da proporção entre dívida pública e PIB antes de buscar sua redução. O senador também planeja cortar despesas, extinguir ao menos dez ministérios, diminuir o número de cargos comissionados, combater privilégios salariais de servidores e avançar com a reforma administrativa, além de retomar o Programa Nacional de Desestatização.

Divergências tributárias e avaliações de especialistas Enquanto a chapa de Lula aposta na expansão da arrecadação, a candidatura de Flávio defende a diminuição da carga de impostos, ajustes na reforma tributária sobre o consumo, a redução do IVA e a desoneração de investimentos, exportações, energia e combustíveis. Analistas ouvidos pelo portal apontam lacunas em ambas as propostas no que diz respeito ao equacionamento das contas públicas. O texto governista peca pela falta de detalhes sobre como conter a trajetória da dívida, ao passo que o documento da oposição não dimensiona a economia gerada pelos cortes nem estipula metas fiscais claras.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o arcabouço fiscal é insuficiente e não propõe consequências efetivas quando suas regras são descumpridas. Já o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman classificou a proposta de Lula como um “Orçamento frouxo”, por considerar que há pouca ênfase no controle das despesas.

Sobre Flávio, Perri aponta que privatizações geram receitas não recorrentes e que faltam detalhes sobre o alcance dos cortes. Schwartsman afirma que um ajuste duradouro exigiria enfrentar despesas obrigatórias. Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, avalia que uma nova regra fiscal poderia contribuir para o ajuste, desde que o candidato esclareça como pretende executá-lá.

Trabalho, endividamento e compromissos sociais No cenário trabalhista, Lula apoiou e sancionou o fim da escala 6×1 e a diminuição da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem impactos nos salários. Inicialmente contrário à medida e defensor de negociações diretas entre empresas e empregados, Flávio Bolsonaro votou favoravelmente à alteração após dialogar com o eleitorado durante a campanha, assegurando que não pretende revogar a medida se for eleito, embora mantenha a defesa por maior flexibilidade nas contratações e na negociação de jornadas e remunerações.

Para auxiliar a população endividada, o senador propôs uma medida específica durante debate televisivo: “Vou comprar as dívidas bancárias e congelar os debitos por 6 meses pra pessoa física e 12 meses pra pessoas jurídicas”, declarou.

Na assistência social, Lula pretende fortalecer o Bolsa Família e expandir a Política Nacional de Cuidados. Por sua vez, Flávio propõe condicionar parte dos benefícios à capacitação profissional e à inserção no mercado de trabalho formal, estabelecendo uma regra de transição de dois anos para novos empregados. A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, pontuou a diretriz em entrevista: “As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada, e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade”, afirmou Marques.

Saúde, educação e segurança pública Para o SUS, Lula prioriza o reforço na atenção básica e especializada, enquanto Flávio aposta na digitalização, telemedicina e utilização da capacidade ociosa da rede privada. Na educação, ambos defendem o ensino integral, com Lula enfatizando institutos federais e o programa Pé-de-Meia, e o opositor focando na alfabetização pelo método fônico e escolas cívico-militares.

Na segurança, Lula defende a PEC da Segurança Pública e maior integração policial, ao passo que Flávio propõe endurecer o sistema prisional, dobrar verbas federais, construir presídios de segurança máxima e classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas. No Judiciário, Lula respeita a autonomia atual do STF, enquanto Flávio planeja impor quarentena a ministros de Estado indicados à Corte, limitar decisões monocráticas e retirar competências criminais originárias do tribunal.

Diretrizes para o agronegócio, indústria e relações exteriores No setor industrial, Lula aposta na Nova Indústria Brasil com financiamento estatal, enquanto Flávio prioriza o investimento privado e a atração de data centers. Para o campo, o atual presidente expande o Plano Safra, e o adversário foca em infraestrutura logística e redução da dependência de fertilizantes. Na política externa, Lula busca diversificar parceiros globais, e Flávio prioriza a aproximação comercial com os Estados Unidos, mantendo os laços mercantis com a China.

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