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Árvore na divisa: quando a poda de galhos gera briga entre vizinhos

Entenda o que diz a lei brasileira sobre cortar ramos que invadem o terreno ao lado e saiba como evitar conflitos residenciais.

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Vizinho planta uma árvore junto ao muro, os galhos avançam sobre o telhado ao longo dos anos e uma poda feita sem autorização termina em discussão entre as duas famílias

O crescimento de uma árvore plantada junto ao muro gerou um impasse judicial e uma discussão acalorada entre duas famílias. O que começou como uma promessa de sombra para a garagem evoluiu para entupimento de calhas, infiltrações e conflitos sobre o limite dos terrenos após uma poda sem aviso prévio.

O problema no telhado

Nos primeiros anos, a copa se desenvolveu para o alto sem causar transtornos. No entanto, as folhas passaram a entupir a calha da residência vizinha, provocando o retorno da água da chuva e manchas no forro, além de ruídos constantes causados pelo atrito dos galhos contra as telhas durante as tempestades.

Diante disso, após sucessivos pedidos ignorados para a realização de manutenção, o morador afetado contratou um profissional especializado para cortar apenas os ramos que ultrapassavam a linha divisória. A intervenção gerou revolta na proprietária da planta, que alegou dano a um bem que não lhe pertencia por falta de aviso prévio sobre a data do serviço.

O que diz a legislação

Conforme o artigo 1.283 do Código Civil, o proprietário do imóvel invadido tem o direito de cortar raízes e ramos que ultrapassem a estrema do prédio até o plano vertical divisório. Contudo, a norma não dá carta branca para ultrapassar essa linha, sendo obrigatório respeitar normas ambientais, municipais e os cuidados técnicos necessários para evitar riscos à saúde da espécie vegetal.

Uma avaliação técnica posterior indicou a necessidade de acompanhamento da copa remanescente e revelou que o problema de infiltração no telhado envolvia falhas pré-existentes nas telhas, demonstrando que nem todos os danos podiam ser atribuídos exclusivamente à vegetação.

A situação terminou com um acordo entre os moradores: o telhado foi reparado, a limpeza das calhas foi realizada e a proprietária passou a monitorar o crescimento da copa para evitar novos desentendimentos. Ambas as partes compreenderam a importância do diálogo prévio e do respeito estrito aos limites legais da propriedade para manter a boa convivência na vizinhança.

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