Na zona rural da cidade maranhense de Lago do Junco, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, enfrentou uma caminhada de 600 metros para registrar seu voto no primeiro turno. Mais do que exercer a cidadania, ela percorre longas distâncias em uma verdadeira busca ativa para convencer outras trabalhadoras a não abrirem mão do direito de escolha.
A força da mobilização no campo
Com voto facultativo desde a promulgação da Constituição de 1988, a parcela da população com mais de 70 anos historicamente registra altos índices de abstenção no país. Para reverter esse cenário, Maria Alaídes atua junto a comunidades da região para explicar a relevância do processo eleitoral.
“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, conta Maria, que tem sete filhos e sete netos.
Como liderança de um movimento interestadual, ela reforça que a participação popular é o caminho indispensável para a conquista de direitos e políticas públicas voltadas à preservação ambiental e ao trabalho das quebradeiras de coco.
“O voto para minY é orgulho. Voto pela manutenção de direitos e pela democracia”.
Queda na abstenção e a campanha vovó vota
Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que o percentual de eleitores com mais de 70 anos que deixaram de votar caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno recente. O movimento apartidário Vovó Vota busca ampliar ainda mais essa adesão, incentivando a aproximação entre netas e avós para o próximo pleito.
Em Orizona, Goiás, a aposentada Maria Albino Costa, de 85 anos, preferiu não comparecer na primeira etapa devido à quantidade de cargos em disputa, mas confirmou presença para a votação presidencial.
“Mas dessa vez, é só para o cargo de presidente. Então, eu vou desta vez. Minha filha e minha neta vão me levar. Preciso garantir nossos direitos. Eu faço questão agora.”
Vivências marcadas pela ditadura e o desejo de servir de exemplo para dezenas de descendentes motivam a participação de eleitoras veteranas em todo o território nacional.
Superação de barreiras e memórias da democracia
Apesar de entraves como longas filas e problemas de acessibilidade relatados por eleitoras no Rio de Janeiro e em São Paulo, a garantia de atendimento prioritário e o apoio familiar têm sido fundamentais. O compromisso com o futuro do país também se apoia nas lembranças do período em que o voto popular era suprimido.
Para a aposentada carioca Suely Mendonça, de 79 anos, o ato de votar traz forte carga emocional e recordações da luta pela redemocratização.
“É o momento em que estou me sentindo mais participante da vida do país. Sempre estudei na rede pública, do ensino básico ao ensino superior. Teve o golpe militar e eu estava estudando”.
A trajetória dessas mulheres reforça que a participação cidadã permanece essencial em todas as fases da vida, consolidando a democracia brasileira nas urnas.







