Com o objetivo de transformar traços culturais, históricos e ambientais em novas fontes de renda, o município de Morretes deu início ao programa Sou Morretiano. A iniciativa, desenvolvida pela Administração Municipal em cooperação com o Sebrae, foi apresentada oficialmente na Sala da Inovação da sede da Prefeitura com o propósito de incentivar a elaboração de lembranças turísticas autênticas e aperfeiçoar mercadorias típicas da região.
Capacitação e conexão com o mercado turístico
O plano de ação inclui oficinas coletivas e atendimentos individuais focados no aprimoramento técnico das peças e na formação de preços de venda. Além do suporte criativo e gerencial, a programação prevê rodadas de negócios destinadas a aproximar os participantes do mercado consumidor e dos empreendimentos turísticos já consolidados.
Os produtores selecionados pela curadoria técnica terão autorização para estampar a chancela do projeto sem custos adicionais. De acordo com o secretário municipal de Cultura e Turismo de Morretes, Gilton Dias Junior, a proposta visa inserir esses artigos diretamente nos estabelecimentos frequentados pelo público.
“A Prefeitura divulgará os produtos aprovados em conjunto, em catálogo e nos canais oficiais, e pode levá-los a feiras e eventos que promove ou apoia. Queremos que cheguem aonde o visitante já está: pousadas, restaurantes, lojas e atrativos. Por isso, a aposta é aproximar os criativos de quem já vende para o turista, e não abrir uma loja da Prefeitura”, afirmou.
O secretário também ressaltou que a autonomia comercial permanece integralmente com os profissionais, muitos dos quais já atuam nas feiras do Centro Histórico: “Morretes já tem tradição artesanal e criativa, e o Sou Morretiano não começa do zero: ele qualifica o que já existe. Esperamos formar um conjunto de souvenirs de qualidade que representem a cidade de verdade; dar ao visitante uma forma de levar a experiência para casa; fortalecer a cidade como destino turístico; e abrir novos canais de venda e renda para pequenos produtores locais”, disse Gilton.
Quem pode participar e como se inscrever
A convocatória é aberta a moradores das áreas urbana e rural maiores de 18 anos. Podem se candidatar artesãos, designers, artistas visuais, arquitetos, ilustradores, publicitários e profissionais da economia criativa, bem como produtores de bebidas e alimentos artesanais — sendo indispensável, neste último caso, a comprovação de licença sanitária regularizada.
Nesta primeira edição, o projeto disponibiliza vagas para até 35 inscritos, permitindo o registro de um a três itens por participante. “O objetivo é atender a todos os interessados, mas havendo grande volume de inscrições, as vagas são preenchidas por ordem de inscrição, com um número de para cada tipo de material. As inscrições também podem ser feitas pessoalmente na Secretaria de Cultura e Turismo até 28 de outubro”, explicou o secretário.
Critérios de avaliação e identidade local
Embora não imponha temáticas rígidas, o programa exige que as criações demonstrem vínculo direto com o patrimônio material, imaterial ou natural morretiano. Durante o período formativo, os inscritos farão visitas a atrativos turísticos e culturais para enriquecer o repertório criativo.
“Esse repertório pode incluir o Centro Histórico e o Rio Nhundiaquara, a Serra do Mar e o Marumbi, a Mata Atlântica, o trem e a Estrada da Graciosa, o barreado, a cachaça e a banana, e o fandango caiçara”, ressaltou Gilton Dias Junior.
O processo de seleção técnica considerará aspectos como acabamento, funcionalidade, segurança, capacidade mensal de fornecimento, viabilidade comercial, adequação de valor, sustentabilidade e a procedência legal das matérias-primas utilizadas. A evolução do programa será acompanhada pelo Sebrae e pela pasta municipal por meio de diagnósticos antes e depois da formação, com foco no avanço de novos pontos de venda e na formalização das atividades.







