Para expandir o transporte público em uma das regiões mais densas da Índia sem recorrer a desapropriações em massa, a cidade de Lucknow iniciou o desenvolvimento de uma infraestrutura subterrânea sem precedentes. A futura parada Pandeyganj integrará o trecho entre Charbagh e Vasant Kunj, apostando em uma solução vertical radical para viabilizar a passagem dos trens sob um terreno totalmente ocupado na superfície.
Inovação vertical contra a escassez de espaço urbano
O canteiro de obras precisa lidar com restrições físicas severas, já que o traçado foi espremido entre uma galeria histórica de drenagem pluvial e linhas de trem convencionais em plena atividade. Para contornar essas barreiras e garantir a estabilidade das construções vizinhas, a escavação alcançará entre 35 e 38 metros de profundidade.
Essa cota equivale a um prédio de 12 andares totalmente invertido rumo ao interior do solo, tornando a estação mais profunda do que a célebre parada de Howrah e estabelecendo um recorde na engenharia do país. A contenção das pressões do terreno exige paredes diafragma reforçadas e monitoramento estrutural contínuo de todos os edifícios antigos situados acima do túnel.
Trilhos sobrepostos para eliminar desapropriações
Diferente do modelo tradicional de metrô, no qual as vias operam lado a lado em uma mesma plataforma horizontal, o projeto indiano adotou a sobreposição vertical das vias. Com essa manobra técnica, os comboios que seguem em sentidos contrários vão transitar em andares separados.
Essa configuração em camadas estreita a largura total necessária para o túnel, evitando a demolição de imóveis na superfície. Entre as duas passagens ferroviárias, uma laje técnica intermediária abrigará os sistemas de ventilação, exaustão e controle operacional, assegurando a circulação de ar e os protocolos de segurança para os usuários.
Como funcionará a divisão dos cinco pavimentos
Ao todo, o complexo subterrâneo contará com cinco andares meticulosamente planejados para orientar um grande fluxo de passageiros diários:
- Subsolo 1: área de bilheterias, atendimento ao cliente e bloqueios de acesso com catracas.
- Subsolos 2 e 4: mezaninos intermediários destinados à distribuição de fluxo e transbordo.
- Subsolos 3 e 5: plataformas de embarque e desembarque sobrepostas, acompanhadas por salas técnicas de suporte.
A integração entre todos os pavimentos será realizada por uma ampla rede de elevadores de alta capacidade e escadas rolantes, dimensionada tanto para a acessibilidade plena quanto para possibilitar a evacuação ágil em situações de emergência.
Ao conectar polos estratégicos e desafogar o trânsito saturado nas vias de superfície, a estrutura de Pandeyganj consolida uma nova referência para intervenções metroviárias em centros históricos de alta densidade populacional.







