O roedor encontrado morto no interior de um bolo adquirido por um consumidor na capital do Rio Grande do Sul foi assado juntamente com a massa, de acordo com o veredito da Polícia Civil. A corporação chegou a essa constatação após analisar minuciosamente as condições físicas em que o corpo do animal foi localizado pelas autoridades.
Investigação policial descarta sabotagem Em depoimento concedido ao programa Gaúcha Mais, a autoridade policial responsável pela condução das investigações também descartou completamente a hipótese de que o roedor tenha sido inserido de maneira intencional no doce.
“Como o rato estava todo encoberto, a gente acredita que ele estava dentro do forno e, quando foi assar o bolo, acabou tentando fugir, algo do tipo, e caiu dentro da forma, sendo assado junto com esse bolo”, afirmou a delegada Milena Simioli, da Delegacia de Polícia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon).
O incidente e a repercussão O produto alimentício foi comprado na filial Cavalhada da rede Casa de Bolos, situada na zona sul porto-alegrense. O caso ganhou repercussão policial após o freguês registrar ocorrência relatando a descoberta do animal na massa, detalhando inclusive que chegou a ingerir pedaços antes de notar a contaminação. Na sequência, os agentes fecharam duas lojas e efetuaram a prisão da dona de uma delas.
A conclusão técnica da investigação policial acabou se contrapondo a uma das teses apresentadas pela defesa da empresária Amanda Borges Lopes Schenk, 41 anos. Os defensores divulgaram nota informando sobre a realização de uma auditoria interna para apurar o ocorrido, citando especificamente a “eventual possibilidade de sabotagem por parte de algum funcionário insatisfeito”.
Fiscalização e irregularidades sanitárias As diligências da Polícia Civil começaram logo após o registro da queixa. Equipes da Decon, somadas a fiscais da Vigilância Sanitária e policiais da 13ª Delegacia de Polícia da Capital, vistoriaram unidades comerciais situadas na Zona Sul e na Região Central da cidade.
Nos locais fiscalizados, os agentes de segurança constataram diversas irregularidades graves, tais como presença de fezes e urina de roedores espalhadas pelo ambiente, além de mercadorias com prazos de validade expirados. As condições gerais de limpeza e conservação foram consideradas insatisfatórias para a manipulação de comércios do ramo alimentício.
Prisão e soltura da proprietária Diante dos flagrantes, os dois pontos comerciais sofreram interdição imediata. A dona da franquia, Amanda Borges Lopes Schenk, acabou presa em flagrante na quarta-feira (14) por crimes contra as relações de consumo, mas recuperou a liberdade no dia seguinte (15) após passar por audiência de custódia.
A soltura foi confirmada pela delegada titular da Decon. Segundo Simioli, a proprietária do estabelecimento foi colocada em liberdade provisória sob condição de adequar os estabelecimentos às normas sanitárias. Ela deve responder ao caso na Justiça em liberdade.
Posicionamento da rede franqueada Por meio de nota oficial, a direção da Casa de Bolos lamentou profundamente o episódio ocorrido. A marca destacou que “considera inaceitável qualquer situação que coloque em risco a saúde e a segurança dos consumidores” e pontuou que, apesar de funcionarem por meio de franqueados autônomos, todos os locais precisam obedecer rigidamente aos protocolos sanitários exigidos.
“A franqueadora acompanha o caso junto às autoridades competentes e ao departamento jurídico, além de conduzir uma apuração interna para esclarecer os fatos e adotar as medidas contratuais cabíveis”, concluiu a Casa de Bolos.







