A influenciadora digital Bianca Andrade virou alvo de polêmica nas redes sociais após exibir sua fantasia para um baile de Halloween realizado na última quinta-feira (15). O visual escolhido pela famosa gerou acusações de apropriação criativa por parte de internautas, que apontaram semelhanças gritantes com a obra de uma artista visual independente.
A polêmica do macacão rosa e do esqueleto de sereia
O figurino que gerou toda a discussão foi divulgado no perfil da própria empresária e fazia parte de uma parceria comercial com uma marca de chicletes. A vestimenta consistia em um macacão de látex na cor rosa acompanhado por uma estrutura de esqueleto de sereia fixada na parte posterior. O conceito visual foi associado por seguidores ao folclore nacional e ao boto-cor-de-rosa, seguindo a temática florestal propuesta pelo evento.
Contudo, usuários do antigo Twitter perceberam paralelos imediatos entre a produção da influenciadora e a peça artística batizada de Siren Skeleton, elaborada em julho de 2025 por Alma Seleno. A repercussão negativa rapidamente tomou proporções expressivas, fazendo com que a estilista se pronunciasse oficialmente na sexta-feira (16) para cobrar visibilidade e respeito aos creadores marginalizados.
O desabafo da artista visual
Por meio de publicações temporárias em suas redes sociais, Alma expressou sua indignação com a situação. “É muito desrespeitoso ver um trabalho com semelhanças tão evidentes com o meu sendo executado por outra equipe sem qualquer reconhecimento. Estamos falando de uma criação original, com uma construção anatômica muito específica, que circulou internacionalmente e foi publicada em revistas ao redor do mundo. Me recuso a aceitar que seja tão fácil simplesmente ignorar a existência dessa pesquisa e de quem a desenvolveu”, afirmou.
A criadora também pontuou a marginalização de profissionais trans no setor de vestuário. “EU NÃO ESTOU M*RTA. Sou uma travesti brasileira, viva, atuante e acessível. Eu e minha equipe poderíamos ter sido contratadas para executar o nosso próprio trabalho. Muitas pessoas inclusive acham que fui eu que executei, mas neste caso não tivemos qualquer participação, apesar das semelhanças evidentes”, complementou.
Falta de acesso e barreiras no mercado
O pronunciamento aprofundou o debate sobre apropriação estética e o acesso de minorias a grandes produções publicitárias. “É revoltante ver uma criação tão semelhante à pesquisa de uma artista travesti independente em espaços aos quais ela mesma não teve acesso nessa produção. Não se trata apenas de ser referenciada. Estamos falando de acesso e sobre a oportunidade de ocupar esses espaços com o que eu crio. Não basta consumir a estética de artistas travestis enquanto se ignora a existência delas. PAGUEM, CONTRATEM, REFERENCIEM E RESPEITEM AS TRAVESTIS”, declarou.
A decisão de expor o caso publicamente veio acompanhada de um desabafo sobre o cansaço perante a impunidade de atitudes vistas no meio fashion. “Por uma questão de imagem, pensei em não criar uma situação pública, mas estou cansada do desrespeito e das atitudes cruéis que passam impunes no mercado da moda! Pode parecer apenas um @, mas para artistas independentes em ascensão é uma mudança de vida! E quem insiste em negar a similaridade e a inspiração que, pra mim, é nítida entre esses trabalhos está contribuindo para normalizar esse tipo de apropriação e o apagamento da autoria de artistas travestis”, pontuou.
Por fim, a estilista esclareceu que seu objetivo não é culpar todos os envolvidos na divulgação da imagem, mas sim obter esclarecimentos sobre a origem do conceito. “Só quero deixar claro que não é sobre responsabilizar as pessoas que estão marcadas no post, porque nem todas tiveram participação na concepção dessa peça. O que me interessa é entender de onde surgiu essa ideia, quem foi responsável pela criação e pelo desenvolvimento da estrutura em 3D e por que, diante de tantas semelhanças com o meu trabalho, não fui procurada ou contratada para desenvolvê-la. A questão aqui é o desrespeito com o meu trabalho e a falta de reconhecimento de uma criação que já existe e que poderia ter sido feita pela própria artista que a desenvolveu”, concluiu.
As postagens originais de Alma Seleno com o projeto datam de outubro de 2025. Até o momento desta publicação, nem a equipe de comunicação nem a própria Bianca Andrade emitiram notas ou esclarecimentos a respeito das acusações levantadas.







