O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que atuou como ministro da Secretaria de Governo na gestão de Jair Bolsonaro (PL), fez duras críticas à tentativa de aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para o militar, a busca por respaldo estrangeiro nos moldes praticados pelo clã representa uma ameaça direta à soberania do país, sendo classificada por ele como uma postura de subserviência e uma traição aos interesses nacionais.
A diferença entre projeção e interferência estrangeira
Durante entrevista concedida ao canal Revelando, o ex-ministro pontuou que existe uma linha tênue, porém clara, entre construir uma boa imagem além das fronteiras e apelar para a intervenção de potências estrangeiras nos rumos políticos internos. “A busca de apoio externo, da maneira como foi feita, é um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil”, afirmou Santos Cruz ao jornalista Bruno Torturra.
Na visão do militar, circular pelo exterior para fortalecer a reputação é uma prática política aceitável. Contudo, cruzar a fronteira para atrair pressão externa assume outra gravidade. “Busca de apoio é uma coisa; você fazer um candidato qualquer, fazer um circuito internacional para conseguir uma boa imagem internacional —isso é tudo normal. Agora, a busca de interferência é traição, é outra coisa”, pontuou.
Contradições no discurso patriótico e o uso de símbolos
O general também direcionou críticas a aliados e familiares que adotam símbolos associados à base política de Trump, a exemplo dos bonés vermelhos com o lema Make America Great Again (MAGA). O adereço já foi exibido publicamente por figuras como o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), além de Jair e Eduardo Bolsonaro. Para Santos Cruz, tal postura contradiz o discurso de patriotismo ostentado pelo grupo.
“É submissão voluntária. Os Estados Unidos também se beneficiam desse voluntariado, que nem precisou recrutar”, avaliou o general.
Negociação de sanções e críticas a Eduardo Bolsonaro
O militar relembrou episódios envolvendo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem acusou de articular medidas punitivas contra o próprio país durante viagens aos Estados Unidos realizadas enquanto ainda exercia o mandato parlamentar. “Um ex-deputado brasileiro foi para lá como deputado, inclusive ainda com mandato, negociar sanções contra o Brasil”, declarou.
Questionado sobre a atuação de Eduardo, o ex-ministro reiterou o incômodo com a situação, classificando o cenário como “inimaginável” e reforçando o tom de repúdio. Na avaliação do general, essa dinâmica de dependência externa pode comprometer futuros governos, gerando compromissos políticos que facilitem a tutela de interesses norte-americanos sobre o território nacional.
Avaliação sobre o clã e o governo anterior
No campo eleitoral, Santos Cruz contestou a viabilidade da candidatura de Flávio à Presidência da República, argumentando que o projeto atende a interesses estritamente familiares e carece de bagagem na administração pública. “Ele não tem passado nenhum de conhecimento, que mostre conhecimento de atividade executiva, nada disso”, afirmou.
Sobre o patriarca da família, o general foi categórico ao relembrar o período em que integrou a administração federal. Segundo ele, a falta de preparo de Jair Bolsonaro justificou os impasses enfrentados pela gestão. “Eu conheço o pai, trabalhei com ele, totalmente despreparado para a função, por isso que não deu certo. Não tinha a mínima condição de ser presidente”, declarou.
Apesar das severas críticas direcionadas à família e às estratégias adotadas, o militar ponderou que a participação em disputas eleitorais é um direito legítimo de qualquer cidadão, ressaltando que a palavra final sobre o comando do país pertence exclusivamente aos eleitores.







