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Couro de peixe produzido por artesãs do Paraná brilha na São Paulo Fashion Week

Resíduos da pesca no litoral paranaense viram artigos de luxo e conquistam designers no maior evento de moda do país.

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Couro de peixe feito por artesãs de Pontal conquista espaço na São Paulo Fashion Week

O aproveitamento sustentável de resíduos da atividade pesqueira no litoral paranaense ganhou projeção nacional ao integrar a programação de um dos maiores eventos fashion do país. Bolsas, acessórios e peças de vestuário criados por trabalhadoras locais chamaram a atenção de especialistas e abriram portas para novas parcerias comerciais.

A trajetória do projeto e a vitrine nacional A iniciativa reúne 15 mulheres que integram a Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná. O coletivo foi o único representante da região Sul com o selo de Indicação Geográfica a expor no espaço institucional do Sebrae, localizado no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, durante a programação realizada entre os dias 13 e 18 de outubro.

Presidente da associação, Ana Maria de Oliveira Ferreira de Almeida trabalha com o material desde 2011 e comemorou a oportunidade de apresentar a produção de Pontal a profissionais do setor.

“Aqui é uma grande vitrine. É uma emoção muito grande estar aqui, gerar esses resultados. É histórico para nós”, afirmou.

Novas aplicações e parcerias no setor têxtil Durante a semana de moda, o material sustentável despertou interesse para além dos tradicionais artigos de marroquinaria. Designers discutiram o uso das peles tratadas em chapéus, detalhes de vestuário, elementos decorativos e até mesmo no revestimento de mobiliário.

A consultora do Sebrae/PR, Aline Geani dos Santos, destacou que o contato com profissionais da moda abriu espaço para novas ideias e possíveis aplicações do material.

“Em um mercado especializado como o da moda, percebemos o potencial do couro de peixe de Pontal, que carrega sustentabilidade, arte e história”, afirmou.

A novidade também surpreendeu quem ainda não conhecia a técnica. A empreendedora Letícia Gamba Moura Radowitz, de Palhoça (SC), teve o primeiro contato com o material durante o evento.

“Não conhecia e nem imaginava essa possibilidade de fazer artesanato com o couro de peixe”, contou.

Reconhecimento e emoção para as criadoras Para as profissionais envolvidas na confecção, a exposição representa a consolidação de um esforço coletivo recente, impulsionado pela conquista do registro de Indicação Geográfica.

Entre as artesãs que representaram Pontal do Paraná esteve Denise Selenko. Aposentada, ela se mudou de Curitiba para o município durante a pandemia e começou a trabalhar com couro de peixe em março de 2024.

“Hoje começou a cair a ficha. Até ontem eu ainda estava digerindo tudo, mas agora consigo entender a dimensão e a importância de estarmos aqui. Com poucos meses de Indicação Geográfica, já estamos na São Paulo Fashion Week”, relatou.

Para Denise, o momento também representa o reconhecimento do trabalho. “É pura emoção. É um sonho realizado e um reconhecimento muito grande do nosso trabalho”, completa.

O designer Adailton Júnior, de Salvador, na Bahia, ressalta que aproximar a moda das Indicações Geográficas também significa conectar criadores aos territórios, aos produtores e a matérias-primas com características próprias.

“Quando a gente traz a Indicação Geográfica para a moda, aproxima o designer do território, dos produtores e de uma matéria-prima muito específica. Isso é importante para pensar uma moda criativa e autoral”, destaca.

Origens da técnica no litoral paranaense O processo de transformação das peles descartadas em artigos de moda teve início em 2007, fruto de pesquisas desenvolvidas na Universidade Estadual do Paraná (Unespar), no campus de Paranaguá. Por meio de etapas controladas de limpeza, curtimento e acabamento, o material adquire alta resistência.

Ao longo dos anos, a atividade se transformou em uma importante ferramenta de emancipação econômica para comunidades caiçaras. Atualmente, o projeto conta com o suporte institucional da Prefeitura de Pontal do Paraná, do Sebrae/PR, da Unespar, da Seti e do Provopar.

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