A política externa brasileira ganhou destaque nas eleições deste ano, com visões divergentes apresentadas nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto a proposta do atual presidente enfatiza o fortalecimento de parcerias com o Sul Global e a manutenção de relações universais, a chapa da oposição defende um alinhamento estratégico mais próximo com os Estados Unidos, Israel e Argentina.
Diretrizes para a soberania e o cenário internacional O documento da campanha petista reserva quase seis páginas para o tema, apontando que o planeta enfrenta conflitos inéditos desde a Segunda Guerra Mundial, acompanhados por ataques ao direito internacional e à tentativa de imposição de uma ordem predatória.
O plano de Lula destaca que o mundo vive “conflitos sem precedentes” desde a 2ª Guerra Mundial, com ataques ao direito internacional e à tentativa de “imposição de uma ordem mundial predatória”.
“Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica. Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas”, diz o documento.
Por outro lado, o programa de Flávio Bolsonaro, que dedica cerca de três páginas ao assunto, argumenta que a soberania se demonstra na prática e critica a postura diplomática recente.
O candidato do PL, por sua vez, diz que a soberania se exerce “na prática” e não com “bravatas”.
“Nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia”, diz o texto, criticando a posição do governo Lula em relação ao Irã, à Venezuela e a Israel.
Defesa nacional e indústria bélica A articulação entre a diplomacia e a proteção territorial é outro ponto de convergência e divergência nos projetos. O plano de governo de Lula promete fortalecer a indústria de defesa nacional em um mundo onde o direito internacional vem sendo constantemente violado.
“Neste cenário, política externa e defesa nacional são dimensões complementares de uma mesma estratégia voltada à proteção dos interesses do Brasil. Não há projeção internacional soberana sem capacidade de defesa”, diz o plano.
O projeto cita investimentos bilionários realizados por meio do Novo PAC para impulsionar a capacidade bélica do país, incluindo entregas de caças, cargueiros, fragatas e viaturas blindadas. Em paralelo, Flávio Bolsonaro propõe o incentivo a tecnologias militares com foco em inovação voltada para drones e inteligência artificial.
Disputa por minerais críticos e terras raras A gestão de recursos estratégicos também aparece nos textos. O projeto petista prevê o desenvolvimento de uma política voltada a minerais críticos e terras raras para evitar a exportação simples de matéria-prima.
Já o candidato do PL aposta na atração de capital externo e transferência de tecnologia, argumentando que o Brasil pode ser peça-chave para suprir demandas globais. A relevância do país no setor é evidente, já que o território brasileiro detém a segunda maior reserva mundial de terras raras.
Relações comerciais e atritos com potências Enquanto o plano de Lula reforça a aproximação com o Brics, o G20 e o continente africano sob uma ótica universalista, a oposição prioriza a abertura de mercados sem restrições ideológicas.
“Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro, não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo.”
O debate também aborda impasses comerciais, como as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, além da meta de integrar o país à OCDE defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro para melhorar a governança econômica e o alinhamento aos padrões internacionais.







