Lançado em junho de 1967, o oitavo álbum de estúdio dos Beatles, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, marcou a história da música não apenas pela sonoridade psicodélica e pelos temas influenciados por experiências com o LSD, mas também por sua capa icônica. A famosa colagem que estampa o disco reuniu dezenas de personalidades históricas, criada pelos artistas Peter Blake e Jann Haworth. Quase sessenta anos depois, a grande maioria das figuras retratadas já faleceu, restando apenas cinco sobreviventes, incluindo dois integrantes da própria banda britânica.
Os Beatles sobreviventes na arte histórica
Entre as figuras reais da montagem estão os próprios músicos de Liverpool, que aparecem duzentos metros ao centro usando os figurinos coloridos que definiram a era do disco, além de uma segunda representação em formato de bonecos de cera com ternos e cortes de cabelo dos anos 60.
O baixista e vocalista Paul McCartney continua na ativa aos 84 anos. Após o fim do grupo e a trajetória com os Wings, ele segue gravando e realizando turnês anuais, tendo lançado recentemente o disco The Boys Of Dungeon Lane e o documentário Paul McCartney: Man on the Run. Acompanhando o colega, o baterista Ringo Starr mantém sua carreira solo e comanda a Ringo Starr & His All-Starr Band. Aos 85 anos, participou inclusive da faixa “Home to Us” no mais recente trabalho do ex-companheiro de banda.
Ícones da música e da cultura que resistem
Além dos músicos dos Fab Four, o cantor Bob Dylan é um dos nomes da colagem que continua entre nós. Incluído na primeira fila por sugestão de John Lennon, o artista segue lançando canções e rodando o mundo com seus shows, tendo voltado aos holofotes com a cinebiografia Um Completo Desconhecido, que rendeu indicações e prêmios importantes no cinema.
Completam o grupo o cantor Dion DiMucci, famoso por sucessos do rock clássico e do doo-wop, inserido na arte por admiração pessoal de Blake, e o escultor norte-americano Larry Bell, associado ao movimento Light and Space e considerado o nome mais recluso da lista de sobreviventes.
Bastidores da criação da capa
Sobre o conceito visual da obra, o criador revelou detalhes importantes da montagem através de relatos documentados por Spencer Leigh.
“Sugeri que eles tivessem acabado de fazer um show no parque”, disse Blake sobre a capa do álbum, conforme documentado pelo autor Spencer Leigh (via American Sogwriter). “Eles estavam posando para uma fotografia e a multidão atrás deles era de fãs que tinham estado no show. Tendo decidido isso, então, fazendo recortes, os fãs poderiam ser qualquer pessoa, morta ou viva, real ou fictícia. Se quiséssemos João e Maria, eu poderia pintá-los e eles poderiam ser fotografados e ampliados.”
O processo de seleção envolveu diretamente os integrantes do grupo, refletindo as características pessoais de cada um durante a montagem da imagem final.
“Pedi aos quatro Beatles uma lista e fiz uma eu mesmo. Robert Fraser fez uma lista e não me lembro se Brian Epstein também fez. O resultado foi fascinante. John me deu uma lista, assim como Paul. George sugeriu apenas gurus indianos, uns seis deles, e Ringo disse: ‘O que os outros disserem está ótimo para mim’ e não sugeriu ninguém. É uma visão sobre a personalidade deles”, explicu o artista. “Todos os tipos de pessoas foram sugeridos. Hitler estava lá; ele está na capa, na verdade, mas os próprios Beatles o cobriram, pois achamos que ele era muito polêmico. O mesmo aconteceu com Jesus. Havia apenas dois contemporâneos deles na capa. Bob Dylan foi sugerido por John e eu coloquei Dion porque ele é o meu favorito.”
Outras figuras e incertezas históricas
O restante da imensa plateia fictícia e real abrange nomes de peso do cinema, da literatura, da política e da ciência, como Marilyn Monroe, Marlon Brando, Albert Einstein, Edgar Allan Poe, Karl Marx, Carl Jung e o ex-colega de banda Stuart Sutcliffe. Há ainda debates sobre a presença de personalidades como Sophia Loren e Marcello Mastroianni, cujos recortes teriam ficado ocultos atrás dos bonecos de cera, mantendo margem para variações na contagem exata de sobreviventes ao longo dos anos.







