Um registro em vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais revelou torcedores do Flamengo entoando palavras de ordem direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o triunfo sobre o Fluminense. O confronto, realizado no domingo, 11 de outubro de 2026, ocorreu no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, e terminou com o placar de 1 a 0 para a equipe rubro-negra. Nas imagens capturadas nas rampas de saída da praça esportiva, é possível ouvir adeptos do clube entoando o coro: “Ei, Lula, vai tomar no c*”.
Protesto contra as apostas esportivas Além dos gritos direcionados ao chefe do Executivo, a partida foi palco de outros atos políticos. Na entrada dos times gramado abaixo, simpatizantes exibiram uma tarja criticando restrições ao setor de apostas, direcionando o recado ao governo e ao judiciário com os dizeres: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra. Lula, Congresso e STF”.
A movimentação da torcida contra o veto às casas de palpites surge como desdobramento da Medida Provisória 1.394 de 2026, oficializada pelo presidente em 25 de setembro. O dispositivo legal baniu a promoção, o funcionamento e a divulgação de apostas de quota fixa no território nacional.
Reivindicações sobre jornadas de trabalho Em outra vertente dos protestos nas arquibancadas, um grupo de torcedores manteve aberta durante todo o duelo uma faixa fazendo alusão a uma das principais bandeiras políticas do atual mandatário, relacionando o tema a uma goleada histórica sobre um rival carioca: “6 X 1? Só neles! Pelo fim da escala 6 X 1”. A frase ironiza a derrota sofrida pelo Vasco da Gama para o próprio Flamengo por 6 a 1 em 2 de junho de 2024, resultado que marcou o clássico regional.
Posicionamento oficial dos clubes Fora das arquibancadas, as diretorias de Flamengo e Fluminense também se posicionaram de forma contrária à MP que restringiu o mercado de apostas. Como forma de protesto institucional, os atletas pisaram no gramado vestindo uniformes que traziam estampada a frase “Proibir não é proteger”, ocupando a área que habitualmente exibe marcas de empresas do ramo. A mesma mensagem já havia sido utilizada pelos jogadores rubro-negros dias antes, em 8 de outubro, durante compromisso diante do Santos.
Envolvimento jurídico no Supremo No âmbito legal, o clube da Gávea obteve espaço formal nas discussões jurídicas que tramitam na corte suprema. O ministro Luiz Fux deferiu o pedido para que o time seja aceito como amicus curiae nas ações que avaliam a proibição das bets, permitindo que a instituição adicione dados e subsídios técnicos ao processo. Outros 16 clubes, incluindo o Fluminense, também formalizaram o pedido de participação na mesma causa.







