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TikTok usou recursos de segurança falsos em testes com menores de idade

Processo movido nos Estados Unidos aponta que crianças receberam versões placebo de ferramentas contra conteúdos prejudiciais.

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TikTok teria dado recurso de segurança falso a crianças e adolescentes em teste

O TikTok teria realizado testes em que milhares de usuários, incluindo crianças e adolescentes, receberam versões falsas de ferramentas de proteção na plataforma. A acusação integra uma ação judicial movida pelo estado de Nova York, nos Estados Unidos, que detalha experimentos com recursos voltados ao controle de conteúdos indesejados.

Testes falsos e o caso do Algo Refresh

As investigações apontam para a utilização de ferramentas como o Algo Refresh, que teoricamente permitiria ao público reiniciar as recomendações do feed para evitar material impróprio. No entanto, os participantes inseridos nos chamados testes “fantasmas” ou de placebo apenas acreditavam ter acionado a proteção, enquanto a programação real não modificava suas exibições.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, atualizou o processo original de 2024 após a liberação de trechos que estavam sob sigilo judicial.

Metodologia dos experimentos e alertas internos

Conforme o documento legal, a empresa repetiu os procedimentos em 2023 com milhares de contas para mensurar o impacto no engajamento. A companhia teria comparado perfis com acesso à edição funcional do Algo Refresh e aqueles com o modelo placebo, analisando o tempo de permanência no aplicativo e o retorno financeiro com anúncios.

Uma gerente de produto do setor de Bem-Estar Digital do TikTok teria questionado internamente a realização dos testes. Segundo a ação, a funcionária afirmou que o recurso estava relacionado à transparência e ao controle do algoritmo e que um grupo de placebo entraria em conflito com essa finalidade.

A mesma ação judicial relata que a rede social divulgava a ferramenta como um método definitivo de redefinição de algoritmo, embora o efeito prático fosse passageiro.

Desativação de proteções e tragédia relatada

Os registros revelam ainda um segundo experimento, noticiado anteriormente pela Bloomberg, que retirou de forma aleatória proteções de segurança contra conteúdos nocivos para um grupo de usuários.

O processo aponta que um jovem de Nova York integrante dessa amostra morreu após ter acesso a materiais ligados à automutilação. Uma auditoria interna teria apontado exposição excessiva a esse tipo de tema, embora a ligação direta entre o teste e o falecimento permaneça como alegação jurídica sem veredito definitivo.

Posicionamento da empresa e panorama legal

Diante das acusações, a empresa rejeitou as denúncias e destacou o cuidado com o público infantojuvenil.

Em declaração à Reuters, um porta-voz afirmou que a companhia realiza regularmente testes de novos produtos e recursos para avaliar a experiência e entender como eles funcionam no mundo real. A empresa também disse que as alegações apresentadas no processo caracterizam de maneira incorreta o funcionamento do Algo Refresh.

A investida judicial de Nova York integra uma ofensiva nacional nos Estados Unidos, onde dezenas de estados acusam a plataforma de estimular o vício digital e ocultar falhas de proteção. Recentemente, a companhia firmou um acordo no Alabama que pode alcançar a cifra de US$ 300 milhões, além de alterações obrigatórias no uso do aplicativo por menores de idade naquela região.

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