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Trapiche que desabou em Guaraqueçaba tinha reforma prevista desde 2023

Estrutura na Ilha Rasa cedeu e jogou moradores no mar, apesar de convênio milionário assinado entre prefeitura e governo estadual.

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Trapiche que desabou em Guaraqueçaba tinha reforma prevista em projeto de R$ 1,5 milhão desde 2023

Moradores da Ilha Rasa, em Guaraqueçaba, caíram no mar após o desabamento do trapiche local nesta segunda-feira. A estrutura precária contava com previsão de melhorias desde 2023, integrando um convênio de R$ 1,55 milhão firmado entre a prefeitura municipal e o Governo do Paraná, cu as intervenções, contudo, seguiam pendentes de execução.

Relatos dos moradores sobre o acidente Edison Afonso Domingues aguardava um táxi náutico rumo a Paranaguá acompanhado da filha, Laura, e do irmão, por volta das 7h, quando a plataforma ruiu.

“Estava eu, minha filha Laura e meu irmão, esperando o táxi náutico quando o trapiche desabou. Fomos jogados no mar junto com um pedaço de concreto. Levamos muita sorte. Foi um milagre não ficarmos embaixo dos pedaços de concreto”, contou.

O grupo sofreu escoriações nas pernas e no rosto, além de prejuízos materiais com a perda de celulares e óculos. Para Edison, a interdição da área deveria ter ocorrido antes da queda.

“Eu acho que já tinha que ser interditado antes do acontecimento. Depois que aconteceu, a Defesa Civil foi lá interditar. Todo mundo dizia que o trapiche estava ruim, mas todo mundo estava pegando o barco, indo e vindo pelo trapiche”, disse.

Ele também cobrou maior atenção às demais estruturas insulares.

“A gente quer que as autoridades olhem mais para esses trapiches das ilhas, porque todos, praticamente, estão corroídos”, afirmou.

Histórico do projeto e dos recursos financeiros Documentos técnicos apontavam que 12 trapiches precisavam de revitalização e outros três deveriam ser construídos nas comunidades insulares, beneficiando cerca de 3,9 mil moradores e 10 mil turistas anualmente. O orçamento global de setembro de 2023 fixou o montante em R$ 1.554.342,89, sendo R$ 33.220,17 direcionados exclusivamente à Ilha Rasa para a instalação de novos pilares de concreto e melhorias gerais.

O Convênio nº 018/2024-SEIL foi formalizado em 18 de junho de 2024, estipulando repasse estadual de R$ 1.476.625,75 e contrapartida de R$ 77.717,14 da prefeitura, com prazo inicial de execução de 270 dias.

Impasses na licitação e cobranças políticas A Concorrência Eletrônica nº 05/2024 foi cancelada em dezembro de 2024 sob a justificativa de que o agrupamento dos serviços limitava a competitividade, embora registros indiquem também a possibilidade de o certame ter terminado deserto.

O vereador Alcendino Ferreira Barbosa, o Thuca da Saúde, relatou que alertou repetidamente sobre o risco de colapso nas sessões da câmara municipal.

“Eu já tinha avisado isso nas sessões. Acho que umas quatro, cinco sessões eu já tinha avisado que ia cair”, declarou.

Diante da falta de respostas a pedidos de informação, o parlamentar acionou a Justiça, resultando em uma liminar da Vara da Fazenda Pública de Antonina, em novembro de 2025, exigindo esclarecimentos da prefeitura sobre o andamento do convênio. Um termo aditivo posterior prorrogou a vigência dos recursos até dezembro de 2026, enquanto novos levantamentos locais estimam que os custos de reparo possam ter alcançado R$ 2 milhões devido à degradação contínua.

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