O cientista belga Francis Halzen foi o grande vencedor do Prêmio Nobel da Física de 2026, anunciado nesta terça-feira (6) em Estocolmo. A Academia Real Sueca de Ciências reconheceu o docente “pelas suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica”.
O papel do gelo antártico na ciência
A trajetória que levou à premiação começou décadas atrás. “Na década de 1980, Francis Halzen percebeu que o gelo da Antártida poderia ser ideal para capturar uma quantidade suficiente destes neutrinos indescritíveis, para que os investigadores pudessem aprender mais sobre as suas origens “, informou o comitê.
Atualmente atuando como professor na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, o pesquisador de 82 anos admitiu que não imaginava receber a honraria. “É uma grande surpresa, não estava esperando”, reagiu o laureado ao ser contatado pela Fundação Nobel.
As misteriosas partículas-fantasma
Conhecidas popularmente como “partículas-fantasma”, essas unidades subatômicas ganharam esse apelido devido à capacidade de atravessar a matéria sem deixar rastros, interagindo com o ambiente de forma extremamente rara.
Eva Olsson, integrante do júri, destacou a importância da estrutura instalada no Polo Sul: “este Prêmio Nobel diz respeito a um gigantesco cubo de gelo situado no Polo Sul do nosso planeta”. Ela ainda complementou durante coletiva de imprensa: “Os neutrinos trazem informação do cosmos” e “Eles abrem a porta para galáxias distantes e nos contam sobre os processos de explosão das estrelas”.
Impacto na astronomia moderna
O presidente do Comitê Nobel de Física ressaltou a liderança do cientista à frente de equipes multidisciplinares: “Francis Halzen liderou uma equipe internacional de investigadores e engenheiros que nos proporcionou um instrumento fantástico”. Ele concluiu destacando que “A sua tenacidade e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia”.
O reconhecimento coroa décadas de dedicação que já haviam rendido homenagens internacionais, como em 2014, quando a publicação Smithsonian o chamou de Homem do Neutrino e destacou sua “experiência espantosa que anuncia o início de uma nova era na astronomia”.
Os laureados do Nobel recebem uma premiação monetária de 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão, financiado pelo fundo deixado pelo criador da láurea, o inventor Alfred Nobel.








