Após a forte disparada das ações financeiras brasileiras no rali pós-eleitoral, o JPMorgan revisou suas recomendações, estimativas e preços-alvo para o setor. O Bradesco (BBDC4) foi elevado de neutro para overweight — equivalente à compra —, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) foi rebaixado de neutro para underweight, equivalente à venda. Com essa movimentação, os papéis reagiram de formas distintas no mercado.
Repercussão e custo de capital O Bradesco registrou forte alta de 4,40%, cotado a R$ 22,80, enquanto o Banco do Brasil despencou 6,42%, fechando a R$ 24,64, o que representou a maior queda do Ibovespa em uma terça-feira (6). O pano de fundo para a revisão é uma mudança relevante no custo de capital, já que o banco reduziu em cerca de 1,5 ponto percentual sua premissa de custo de capital próprio para a maioria das empresas cobertas. Esse ajuste acompanhou a curva de juros de dez anos, que recuou de aproximadamente 14,4% para 13%, respondendo por 15% a 20% dos aumentos de preços-alvo realizados pela instituição.
Mercado de capitais e favoritas Além da queda do custo de capital, as empresas ligadas ao mercado de capitais ganharam impulso nas projeções. O JPMorgan elevou entre 8% e 12% as estimativas de lucro para a XP (BDR: XPBR31) e para a B3 (B3SA3) em 2027, enquanto o aumento para o BTG Pactual (BPAC11) ficou entre 4% e 5%. A casa destacou o volume excepcional de negociação no mercado à vista.
Perspectivas para Bradesco e Itaú O preço-alvo do Bradesco subiu de R$ 22 para R$ 26, com os analistas apontando melhora na rentabilidade e redução do custo de risco. Já o Itaú Unibanco (ITUB4) continuou como a principal preferência entre os grandes bancos, mantendo a recomendação overweight e com o preço-alvo elevado de R$ 51 para R$ 60, impulsionado por sua forte capacidade de ganho de espaço e eficiência.
Desafios para o Banco do Brasil Para o Banco do Brasil, embora o preço-alvo tenha subido marginalmente de R$ 22 para R$ 23, a recomendação foi reduzida devido à expectativa de que a recuperação operacional demore mais. Os analistas apontam que a exposição relevante ao agronegócio e a recente deterioração nessa carteira devem pressionar os lucros, a rentabilidade e a distribuição de dividendos nos próximos anos, resultando em um ROE projetado de 8,7% em 2026.
Novas apostas e fintechs Entre as empresas de tecnologia financeira, o JPMorgan destacou o Nubank (BDR: ROXO34) e o Inter (BDR: INBR32) como nomes que ficaram para trás no rali recente e ainda oferecem valuation atraente. O Nubank manteve recomendação overweight com preço-alvo subindo de US$ 20 para US$ 23, enquanto o Inter passou a ter preço-alvo de R$ 55, negociando abaixo de sete vezes o lucro projetado para 2027.







