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Mercado de juros futuros fecha sem direção única na B3 após forte rali

Incertezas sobre o cenário fiscal brasileiro e cautela global freiam o ímpeto dos investidores na bolsa de valores brasileira.

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Rali perde força e taxas de juros fecham de lado, com dúvidas sobre quadro fiscal

As taxas de juros negociadas na B3 fecharam esta quarta-feira, 7, sem uma direção única e apresentando oscilações tímidas. O movimento ocorre em um momento em que os investidores ainda demonstram otimismo com a possibilidade de alternância de poder em 2027 e com a esperada redução dos prêmios de risco associados às contas públicas.

Comportamento das taxas e cenário internacional

Sem gatilhos específicos para impulsionar novas negociações, os vértices mais curtos registraram leves recuos, acompanhando os cortes já precificados para a taxa Selic no curto prazo. Por outro lado, os vencimentos mais longos apresentaram viés de alta, recompondo uma pequena parcela da expressiva queima de prêmios observada nos dois dias anteriores, que havia superado 100 pontos-base.

No exterior, a renda fixa americana iniciou o pregão renovando máximas na ponta longa, mas a alta perdeu força após um leilão de US$ 39 bilhões em títulos de 10 anos — o maior desde o ano 2000 —, que registrou demanda acima da média. Paralelamente, a divulgação da ata do Federal Reserve indicou a possibilidade de um novo aumento dos juros americanos ainda neste ano, exercendo impacto neutro sobre a curva local.

Análise dos especialistas sobre o panorama fiscal

De acordo com profissionais do setor, os participantes do mercado ainda não conseguem visualizar um plano fiscal robusto que abra espaço para uma queda mais acentuada dos juros no país. Esse ceticismo, somado ao forte ajuste para baixo já verificado nas taxas, dificulta a continuidade do movimento de valorização, em um ambiente externo que também pressiona a renda fixa.

Para o sócio-fundador e diretor de investimentos da Persevera Asset, Guilherme Abbud, o cenário interno foi o principal motor dos negócios recentes, impulsionado pelas expectativas em torno do resultado da eleição presidencial após o primeiro turno. Passada a euforia inicial, o executivo aponta que os agentes não se sentem confortáveis para projetar um ajuste fiscal rigoroso que permita uma redução mais expressiva das taxas.

“Mas nós estamos na ponta contrária. Achamos que o ativo com maior potencial de todos é o pré longo porque temos uma visão fiscal completamente diferente do mercado”, disse Abbud. O gestor argumenta que análises pessimistas costumam focar no resultado primário, enquanto o déficit nominal permanece em patamares elevados, defendendo que declarações fiscalistas de um eventual novo governo seriam suficientes para reduzir a percepção de risco.

Por sua vez, o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, avalia que a retomada de um ciclo de alta nos juros domésticos dependerá diretamente da evolução nas pesquisas eleitorais e de novidades concretas sobre o pacote fiscal voltado para 2027.

Diante desse cenário de transição, a EQI Research sugere em sua carteira mensal de renda fixa uma maior exposição a juros reais por meio de Notas do Tesouro Nacional de longo prazo. No entanto, o analista de investimentos João Abdouni ressalta que o momento atual pede cautela.

“recalibragem gradual das alocações”

Segundo Abdouni, o mercado acabou antecipando parte dos movimentos recentes, de modo que novos avanços nos ativos dependerão de reformas estruturais, medidas concretas de consolidação das contas públicas e da efetiva implementação de uma agenda econômica sólida.

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