O futebol amador brasileiro vive uma fase de grande valorização e tem se tornado uma forte concorrência para os clubes profissionais de menor expressão. Impulsionado por calendários cheios, boa organização e premiações atrativas, o cenário da várzea atrai atletas profissionais em busca de melhores condições financeiras e de uma atmosfera comparada à de grandes finais.
A concorrência financeira com os clubes menores
Atualmente, diversas equipes amadoras conseguem oferecer remunerações superiores às pagas por times tradicionais que disputam divisões inferiores do futebol estadual ou nacional. Enquanto clubes de acesso sofrem com orçamentos restritos e crises financeiras, a várzea garante ganhos mensais elevados e cachês por partida, o que faz com que muitos atletas optem por abandonar o circuito profissional.
– A várzea é a maior concorrente dos clubes pequenos. Eu tive o Caiuby aqui, que foi o melhor jogador do campeonato. É um atleta que facilmente jogaria uma Série A ou B do Campeonato Brasileiro. Eu tinha um acordo e precisava liberá-lo de vez em quando para jogar na várzea.
– Hoje, financeiramente, pode ser ruim para o atleta, porque um clube de Quarta Divisão ou da Copa Paulista não consegue pagar mais do que R$ 5 mil, R$ 6 mil. Por isso a várzea compete de igual para igual – explica Jorge Machado, dono do São Caetano.
Atmosfera dos estádios e pagamento imediato
Outro fator determinante para essa migração é o apelo emocional das arquibancadas lotadas. Enquanto partidas de divisões de acesso costumam registrar público reduzido, os campeonatos amadores reúnem multidões apaixonadas, proporcionando uma motivação que muitos atletas dizem não encontrar em estádios vazios.
Além da paixão das torcidas, o modelo de remuneração conhecido como “jogou, recebeu” traz segurança financeira imediata aos competidores, eliminando o problema crônico de atrasos salariais comuns em equipes profissionais de menor porte.
– Quando ele me contratou, fui direto: “Machado, infelizmente tenho um acordo com o pessoal da várzea”. Esse foi, inclusive, um dos motivos para não querer sair de São Paulo. Mas deixei muito claro que só jogaria na várzea sob certas condições. Eu só ia jogar se o São Caetano vencesse. Se a gente perdesse no profissional, não tinha o aval para atuar na várzea, não seria correto. E deu muito certo.
– Acredito que a várzea está tão atraente para os jogadores muito pelo que vem acontecendo em relação à questão financeira e estrutural. Hoje em dia, os clubes de várzea estão muito bem estruturados e têm potencial financeiro. Isso se torna muito atrativo tanto para o jogador profissional quanto para o amador.
– Muitos atletas estão até deixando o profissional para jogar na várzea, porque recebem muito mais do que receberiam em um time de quarta ou até terceira divisão. O nível de investimento está batendo de frente – conta Caiuby.
Gestão e financiamento do futebol amador
O crescimento desse mercado é sustentado por patrulhas financeiras sólidas, que vão desde o apoio do comércio local até investimentos diretos de dirigentes comprometidos com a origem dos recursos aplicados nos elencos.
– Atualmente, o financeiro do Estrela é 10% minha responsabilidade. Não trago qualquer pessoa para perto porque tenho princípios que almejo, especialmente sobre a origem do dinheiro. Prego muito isso. Não adianta nada ter um supertime, pagando valores altos aos jogadores, se não estivermos fazendo a vontade de Deus. Por isso, hoje a camisa do Estrela é lisa, o patrocínio é apenas o “Deus é Fiel”, e as coisas estão caminhando bem assim – explica Clayton.
Com o fortalecimento de torneios expressivos como a Super Copa Pioneer, o futebol de várzea consolida-se definitivamente como uma alternativa profissional viável e lucrativa no Brasil.








