A infraestrutura de um oleoduto que corta a Serra do Mar, na cidade de Morretes, passou a integrar o monitoramento prioritário da Defesa Civil. A medida busca intensificar a prevenção contra acidentes gerados por precipitações fortes e instabilidade no solo da região litorânea.
Reunião técnica debateu a segurança da estrutura O assunto foi o foco principal de um encontro realizado na terça-feira (22), reunindo autoridades de proteção civil municipais, estaduais e representantes da Transpetro. A pauta central girou em torno da integridade do terreno e dos protocolos operacionais do duto que conecta Paranaguá à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária.
Mitigação de riscos diante de temporais Durante o alinhamento, a empresa responsável detalhou os processos de manutenção aplicados na rede. A mobilização acontece em um cenário de alerta para o comportamento do clima, visto que o estado monitora os reflexos do fenômeno El Niño nos próximos meses. Com previsões de temporais e chuvas volumosas, o mapeamento de áreas de risco torna-se ainda mais urgente.
Ações práticas na área de abrangência O secretário municipal de Resiliência Climática e Defesa Civil, Anderson Ferreira, afirmou ao JB Litoral que o município pretende avançar na gestão preventiva relacionada ao tema. A próxima etapa será uma reunião em campo com a Transpetro para que a equipe conheça os mecanismos de acionamento em situações de emergência.
“O oleoduto tem algumas partes que são suspensas, outras são soterradas, atravessa rios e vales. A nossa região, geograficamente falando, é bastante acidentada (irregular), e ele percorre todo esse trecho do Litoral paranaense e, principalmente, em Morretes. Faremos uma espécie de interação para entender quais são os mecanismos e onde estão localização os registros de fechamento em caso de um possível dano estrutural ou derramamento”, explicou.
No município, o traçado da estrutura atinge aproximadamente 35 quilômetros. Os locais de maior vulnerabilidade estão mapeados no Rio Sagrado, Anhaia, Passa Sete, Rio dos Patos e na região de Alexandra, pertencente a Paranaguá.
Histórico de desastres na região Além dos alagamentos comuns no litoral paranaense, o relevo acidentado somado ao volume expressivo de chuvas eleva o perigo de deslizamentos de terra nas encostas ocupadas. A memória de eventos extremos anteriores, como a tragédia de março de 2011 que afetou Morretes, Antonina e Paranaguá, reforça a necessidade de vigilância constante sobre a área.
O temor em relação ao equipamento também evoca um acidente histórico ocorrido há um quarto de século. Em 16 de fevereiro de 2001, um vazamento de mais de 52 mil litros de óleo diesel no poliduto atingiu a Serra do Mar e a baía de Antonina, gerando um longo litígio judicial. Recentemente, um acordo de R$ 90 milhões firmado com a Petrobras passou a financiar a expansão da rede de radares e monitoramento meteorológico no estado.








