Resumo
- Governo holandês testa um ambiente de trabalho baseado em Linux como alternativa a soluções da Microsoft.
- Projeto usa o NixOS e inclui ferramentas de escritório, colaboração, nuvem e gerenciamento.
- Primeiros pilotos envolvem oito municípios, mas ainda não há prazo para uma migração ampla.
A Holanda está desenvolvendo e testando uma alternativa de código aberto ao Windows e ao Microsoft 365 para computadores do governo. Batizado de Ambiente de Trabalho Digital Autônomo do Governo (ou DAWO, na sigla em holandês), o projeto usa a distribuição NixOS como base e inclui ferramentas de escritório, colaboração, nuvem e gerenciamento de dispositivos.
Segundo a mídia holandesa, os primeiros testes já acontecem em pequena escala em órgãos públicos. Oito municípios participam de uma avaliação coordenada pela Associação de Municípios Holandeses (VNG) e ainda não há um cronograma para substituir Windows ou Microsoft 365 de vez.
O que é o DAWO?
O projeto começou a ganhar forma nos bastidores e recebeu uma missão oficial do governo holandês em julho: criar um ambiente de trabalho padronizado que dê ao setor público mais controle sobre sistemas, aplicativos, armazenamento, backups e ferramentas usadas pelas equipes de TI.
A base escolhida é o NixOS. Uma das características do sistema é permitir que configurações de software sejam padronizadas, o que pode facilitar a adoção do mesmo ambiente em vários computadores.
No entanto, isso não significa que o governo esteja simplesmente instalando Linux no lugar do Windows. A proposta inclui um conjunto maior de serviços de trabalho, como aplicativos de colaboração e ferramentas de administração. O projeto também tenta facilitar a adaptação de profissionais acostumados a usar máquinas com Windows. Nos testes, a novidade já roda em notebooks antigos que não estavam mais sendo usados.
Soberania digital impulsiona projeto
A iniciativa está ligada ao debate sobre soberania digital na Europa, que busca diminuir dependências de fornecedores estrangeiros. No caso holandês, a preocupação ganhou força após as sanções dos Estados Unidos contra integrantes do Tribunal Penal Internacional (TPI), sediado em Haia, que fica a cerca de 56 km de distância de Amsterdã.
O episódio acendeu um alerta para o risco de serviços essenciais sujeitos às decisões de outros governos. O próprio TPI já decidiu substituir ferramentas da Microsoft por alternativas de código aberto em parte de sua infraestrutura.
Mas o movimento é ainda maior na Europa e a Holanda não está sozinha. A Dinamarca anunciou a troca de Windows e Microsoft 365 por Linux e LibreOffice em parte da administração, enquanto a França avança na adoção de Linux em computadores públicos.
No começo do mês, a Suíça iniciou um programa piloto com 3 mil funcionários para testar uma alternativa aberta ao Microsoft 365. Há alguns dias, o Euro-Office, suíte de apps de código aberto, também ganhou um aplicativo para desktop.
Migração não tem prazo
Os responsáveis pelo projeto não divulgaram um calendário formal de implementação. A expectativa dos desenvolvedores é chegar à primeira versão estável para o DAWO em algum momento de 2027, mas sem compromisso com um mês específico.
Até lá, os testes devem mostrar se o ambiente consegue atender às necessidades dos órgãos públicos e quais obstáculos de compatibilidade e treinamento ainda precisam ser resolvidos. Uma adoção mais ampla também dependerá de aplicações usadas pelo governo funcionarem fora do Windows e de alternativas conseguirem substituir serviços integrados ao ecossistema da Microsoft.
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