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Dermatite atópica: conheça os impactos da doença na pele e no sono

Doença inflamatória crônica causa coceira intensa, feridas e exige tratamentos de alto custo para garantir qualidade de vida.

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Dermatite atópica impacta pele, sono e autoestima: saiba como tratar

A dermatite atópica vai muito além de uma condição dermatológica comum, afetando profundamente o descanso noturno, a saúde mental e a autoimagem dos pacientes. Em quadros crônicos, o prurido intenso provoca lesões que tornam a pele extremamente vulnerável ao menor contato, transformando ações cotidianas em fontes de dor.

Desafios diários e o impacto emocional

Para muitos diagnosticados desde a infância, conviver com a inflamação significa enfrentar crises dolorosas e barreiras sociais. Estudantes e profissionais relatam episódios de isolamento e constrangimento devido ao desconhecimento público sobre a enfermidade.

“Tive muitas crises de choro por não saber o que fazer”, conta a jovem que tem a doença desde pequena.

“Minha mãe fala que assim que eu saí da barriga, eu já tinha dermatite atópica. Eu me lembro vividamente da infância, a evolução da doença, os vários fatores que a desencadeavam. Foi muito angustiante conviver com essa doença”.

Os gatilhos ambientais e emocionais costumam agravar o quadro.

“Qualquer objeto de pelúcia, tapete, cachorro e gato. Eu sentia como se tivesse alergia ao mundo. Além disso, períodos de estresse na infância, na adolescência e no início da faculdade exacerbavam muito a alergia”, relata a estudante lembrando que passou por momentos de isolamento social, com medo de que as pessoas vissem as feridas.

“Na escola, eu tinha uns 10 anos, me perguntaram se eu tinha hanseníase, se tinha sífilis, se eu era HIV positivo. Havia muito preconceito”, lamenta a jovem que, atualmente, faz um tratamento imunobiológico que ajuda a conter as crises mais graves da doença.

Tratamentos e custos elevados

Embora existam abordagens tradicionais com corticóides e pomadas, os casos severos frequentemente demandam terapias imunobiológicas modernas.

“Já fiz tratamento com corticóides várias vezes, todo tipo de pomada e hidratante, tentei medidas homeopáticas mas o que funcionou mesmo foi o imunobiológico. Nunca tive tanta paz para conviver com essa doença porque era algo muito difícil”.

No entanto, o acesso a esses fármacos esbarra no alto valor financeiro, sendo encontrados principalmente na rede privada.

Conscientização e diagnóstico clínico

Especialistas reforçam a importância de campanhas para combater o preconceito e informar a sociedade, visto que o problema não é contagioso.

“Os pacientes costumam enfrentar problemas de preconceito e bullying por desconhecimento do público em geral, principalmente por acharem que se trata de uma doença contagiosa. Nesse contexto, campanhas de conscientização podem ajudar. Além disso, é comum a doença ser acompanhada por distúrbios do sono, depressão e isolamento social”, explica o presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), Roberto Takaoka.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação médica da cronicidade das lesões e do histórico do paciente.

“As famílias chegam com demandas de tratamentos rápidos e milagrosos, sem entender que a dermatite atópica é uma doença crônica com períodos de melhora e piora, e que, na maioria dos casos, costuma melhorar com a idade. É muito importante salientar que a dermatite atópica é uma doença complexa e multifactorial. Além do aspecto físico, ela é influenciada por fatores emocionais e sociais”, disse o dermatologista.

Rotina de cuidados

A manutenção da barreira cutânea exige hidratação constante e cuidados rigorosos durante a higiene pessoal.

“Alguns medicamentos podem auxiliar no controle da coceira, o uso de corticosteroides tópicos adequados a cada local da pele. Casos mais graves podem necessitar do uso de imunossupressores por via oral como metrotexato ou ciclosporina”, disse a dermatologista.

“A fototerapia com UVB de banda estreita tem indicação para controle da doença, com melhora principalmente da coceira”, acrescentou.

Com o suporte adequado e campanhas informativas, busca-se garantir um futuro com mais inclusão e alívio para quem convive com o problema.

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